Afastamentos por violência contra mulheres disparam 313% e chegam a 91 casos no INSS

Dados da Previdência mostram avanço nos registros, mas ainda com baixa identificação dos agressores

Um levantamento com base em dados do Instituto Nacional do Seguro Social aponta que 91 mulheres receberam auxílio por afastamento do trabalho em 2025 devido a situações de violência. O número representa um aumento de 313% em relação a 2021, quando foram registrados 22 casos — primeiro ano com dados detalhados por gênero.

As informações, divulgadas com base em dados do Ministério da Previdência Social, incluem afastamentos motivados por agressões físicas, sexuais e violência psicológica. Os registros são feitos a partir da Classificação Internacional de Doenças (CID), utilizada para justificar licenças médicas.

Apesar do avanço nos números, a identificação dos agressores ainda é limitada. Em 2025, apenas dois casos foram formalmente relacionados a parceiros ou cônjuges, o que indica subnotificação ou dificuldade no detalhamento das ocorrências.

Outro recorte, com base em dados da empresa de benefícios VR, mostra que 58 mulheres foram afastadas do trabalho no último ano em decorrência de agressões, número 152% superior ao registrado em 2023, quando houve 23 casos. Entre os principais motivos informados ao INSS estão síndromes relacionadas a maus-tratos — que incluem sequelas físicas e mentais — além de agressões por força corporal e violência sexual.

Os dados evidenciam o aumento dos registros de afastamentos ligados à violência de gênero, ainda que especialistas apontem que os números podem ser maiores devido à subnotificação e à dificuldade de vincular diretamente os casos aos agressores.

Com Informações de O Globo

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus