A assistente social do serviço, Thuane Michiles, destacou que o modelo representa uma alternativa ao acolhimento institucional tradicional.
Família Acolhedora é uma alternativa ao acolhimento institucional nos abrigos que nós temos em Manaus. Esse serviço garante cuidado, proteção e convivência familiar enquanto a Justiça define o futuro dessas crianças e adolescentes”, explicou.
Segundo ela, o objetivo é garantir um ambiente mais afetivo e individualizado durante o período de afastamento familiar.
São famílias voluntárias que se disponibilizam para acolher temporariamente essas crianças e mostrar como é viver numa família que prioriza a infância, o cuidado e o afeto”, afirmou.
Rede busca expansão e mais famílias voluntárias
A iniciativa ocorre em um momento de expansão do serviço na capital amazonense. De acordo com a equipe técnica, ainda há mais crianças precisando de acolhimento do que famílias disponíveis.
A assistente social reforça que o desafio não é apenas estrutural, mas também emocional.
Muitas pessoas ainda têm medo do apego, do vínculo e da despedida. Mas esse é um serviço que transforma vidas, tanto das crianças quanto das famílias que acolhem”, destacou Thuane.
Ela também enfatiza a importância da preparação contínua dos participantes.
A gente trabalha com acompanhamento psicológico e social constante, porque não é só acolher. É entender o desenvolvimento da criança e prepará-la para o retorno à família de origem ou para outra solução definitiva definida pela Justiça”, completou.
Diferença entre acolhimento e adoção
Durante a entrevista, Thuane reforçou a diferença entre os dois processos.
A família acolhedora não é adoção. É um serviço temporário, com início, meio e fim. A criança pode voltar para sua família de origem ou seguir para adoção, mas o acolhimento em si não é definitivo”, explicou.
Ela também destacou que, em casos específicos, pode haver vínculos mais duradouros, mas isso não é o objetivo do programa.
Como participar do Serviço de Família Acolhedora em Manaus
O processo para se tornar uma família acolhedora segue etapas definidas e acompanhamento técnico permanente. Veja o passo a passo:
1. Pré-cadastro
Interessados devem realizar o pré-cadastro online pelo link: https://abre.ai/paBr.
2. Contato com as instituições
Informações adicionais podem ser obtidas com:
- Lar Batista Janell Doyle: (92) 99126-0179
- NACER: (92) 98428-7454
NACER – Núcleo de Assistência à Criança e Família em Situação de Risco
Lar Batista Janell Doyle
3. Triagem e entrevista psicossocial
As equipes realizam entrevistas, visitas domiciliares e análise da motivação da família.
4. Capacitação obrigatória
Os selecionados passam por formação com cerca de quatro encontros, abordando direitos da criança, desenvolvimento infantil e preparo emocional.
5. Requisitos para participação
- Ter entre 21 e 55 anos
- Estar em boas condições de saúde física e mental
- Ter estabilidade financeira
- Disponibilidade afetiva e de tempo
- Não possuir antecedentes criminais
- Ambiente familiar estável
6. Documentação exigida
- RG e CPF
- Comprovante de residência
- Comprovante de renda
- Atestado de saúde física e mental
- Certidão negativa de antecedentes criminais
Acompanhamento contínuo
Após o acolhimento, as famílias recebem visitas mensais de assistentes sociais e psicólogos, além de apoio técnico durante todo o processo.
Para Thuane Michiles, o impacto do programa vai além da assistência imediata.
É um convite à responsabilidade social. Ao abrir as portas de casa, as famílias ajudam a reescrever histórias marcadas por violações de direitos e oferecem novas possibilidades de futuro”, concluiu.
O Serviço de Família Acolhedora segue como uma das principais estratégias de proteção à infância em Manaus, reforçando a importância da convivência familiar como direito fundamental previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus






