Brasil vai continuar exportando carne para Europa? Governo tenta evitar prejuízo bilionário após pressão da União Europeia

País terá até setembro para atender novas exigências sanitárias impostas pelo bloco europeu; perdas podem chegar a US$ 1,8 bilhão por ano

O governo brasileiro entrou em alerta após a União Europeia retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano no bloco europeu. A decisão foi anunciada nessa terça-feira, 12, e abriu uma nova frente de negociações técnicas e diplomáticas envolvendo o setor agropecuário brasileiro.

Apesar da preocupação, a medida ainda não produz efeitos imediatos. As novas regras entram em vigor apenas em 3 de setembro, o que dá prazo para o Brasil tentar reverter a decisão e manter as exportações para o mercado europeu.

Segundo estimativas do Ministério da Agricultura, caso a situação não seja solucionada até a data limite, as perdas para os exportadores brasileiros podem chegar a US$ 1,8 bilhão por ano. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, afirmou que o Brasil atenderá às novas exigências impostas pela União Europeia.

“Tem que ficar claro que são exigências adicionais, mas vamos atender”, declarou.

O governo brasileiro informou que trabalha em duas frentes: a elaboração de respostas técnicas sobre o controle sanitário na produção animal e a articulação diplomática junto às autoridades europeias. O embaixador do Brasil na União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, iniciou reuniões com representantes do bloco para buscar esclarecimentos sobre os critérios adotados.

O que a União Europeia está cobrando?

A União Europeia afirma que o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária destinada à exportação. O tema envolve rastreabilidade sanitária e comprovação documental sobre o uso de medicamentos utilizados em animais de produção.

Os europeus proíbem especialmente substâncias consideradas importantes para tratamentos médicos humanos, diante do risco de resistência antimicrobiana. Entre os produtos questionados estão substâncias como virginiamicina, tilosina, espiramicina e bacitracina.

Segundo o governo brasileiro, o país já cumpre boa parte das exigências sanitárias internacionais, mas deverá enviar novas informações técnicas nos próximos dez dias detalhando os sistemas produtivos brasileiros.

Quais produtos podem ser afetados?

Além da carne bovina, a medida pode atingir exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e outros produtos de origem animal. A União Europeia é atualmente o quarto maior destino da carne bovina brasileira. Em 2025, o bloco comprou 128,9 mil toneladas do produto, movimentando cerca de US$ 1,06 bilhão, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Na carne de frango, o mercado europeu aparece apenas como o oitavo principal comprador do Brasil. Mesmo assim, especialistas avaliam que a decisão aumenta a pressão internacional sobre o sistema sanitário brasileiro e gera preocupação no setor produtivo.

Brasil tenta evitar novo embargo

A relação entre Brasil e União Europeia em torno das exportações de carne já enfrentou outros episódios de tensão. Em 2008, por exemplo, o bloco europeu suspendeu importações da carne bovina brasileira alegando falhas sanitárias. Já em 2017, a Operação Carne Fraca provocou restrições internacionais após denúncias envolvendo frigoríficos.

Agora, o governo brasileiro tenta evitar um novo desgaste comercial enquanto negocia ajustes técnicos e regulatórios para atender às exigências europeias. A secretária de Comércio Exterior do Ministério da Agricultura, Grace Tanno, afirmou que as discussões sobre as exigências sanitárias vêm ocorrendo há cerca de três anos e reconheceu a complexidade das negociações com os europeus.

“Já sabíamos que não seria fácil”, declarou.

Representantes do agronegócio afirmam que o Brasil possui controles sanitários reconhecidos internacionalmente e defendem que o país conseguirá comprovar o cumprimento das exigências dentro do prazo estabelecido pela União Europeia.

Com Informações do G1

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus