Novo remédio aprovado no Brasil promete tratar e prevenir crises de enxaqueca

Medicamento age diretamente no mecanismo da doença e pode aliviar sintomas em até duas horas

Quem convive com crises frequentes de enxaqueca ganhou uma nova perspectiva de tratamento no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro do Nurtec ODT, medicamento desenvolvido especificamente para tratar e prevenir episódios da doença, que afeta milhões de brasileiros.

A autorização foi publicada nesta segunda-feira (25) no Diário Oficial da União e marca a chegada ao país de uma nova geração de remédios voltados exclusivamente para enxaqueca.

O medicamento, produzido pela Pfizer, utiliza o rimegepanto como princípio ativo, uma substância que atua bloqueando a proteína CGRP, ligada aos processos inflamatórios e à transmissão da dor durante as crises.

Remédio pode ser usado na crise e na prevenção

Segundo a neurologista Sara Casagrande, integrante da Sociedade Brasileira de Cefaleias e da International Headache Society, o principal diferencial do medicamento é unir tratamento imediato e prevenção em um único comprimido.

“Ele é específico para enxaqueca. É um analgésico desenvolvido para agir diretamente nesse mecanismo inflamatório”, explicou a especialista.

O Nurtec ODT é um comprimido orodispersível, que dissolve na boca, sem necessidade de água. Diferente de outros bloqueadores de CGRP já disponíveis no Brasil, geralmente aplicados por injeção, o novo medicamento é administrado por via oral.

Outro ponto destacado pela neurologista é que o remédio não provoca vasoconstrição, efeito que pode restringir o uso de medicamentos tradicionais em pacientes com risco cardiovascular.

Estudos mostraram melhora rápida da dor

Resultados de um estudo de fase 3 publicado na revista científica The Lancet apontaram melhora significativa nos sintomas após o uso do rimegepanto.

Segundo a pesquisa, 21% dos pacientes tratados ficaram sem dor duas horas após a medicação, contra 11% no grupo placebo.

Os pesquisadores também observaram melhora de sintomas como náusea, sensibilidade à luz e ao som em 35% dos participantes que utilizaram o medicamento.

Os efeitos adversos relatados com maior frequência foram náusea e infecção urinária, ambos considerados leves e pouco frequentes.

Comercialização ainda não tem data

O medicamento foi aprovado em apresentações com 2, 8 e 16 comprimidos de 75 mg. O registro concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária é válido até maio de 2036.

Até o momento, ainda não foram divulgados preço nem data oficial para início das vendas no Brasil.

Com Informações do G1
Foto: Divulgação
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus