A suspensão temporária da vacina brasileira contra a dengue gerou dúvidas entre milhares de pessoas imunizadas nos últimos meses. Nesta terça-feira (9), o Instituto Butantan buscou tranquilizar quem já recebeu a dose, afirmando que os vacinados continuam protegidos contra a doença.
Segundo o diretor do instituto, Esper Kallás, as pessoas que receberam a vacina há mais de 21 dias podem ficar “absolutamente descansadas” em relação à imunização.
A declaração ocorre um dia após o Ministério da Saúde interromper temporariamente a aplicação da vacina em todo o país por precaução, enquanto investiga casos graves registrados após a vacinação.
Suspensão ocorreu após casos sob investigação
De acordo com o governo federal, cerca de 500 mil doses foram aplicadas até o fim de maio. Nesse período, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% do total de vacinados.
Entre os registros, 42 casos foram classificados como graves por apresentarem sintomas de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos.
Desses episódios, três foram considerados muito graves. Dois evoluíram para óbito e seguem sob investigação das autoridades sanitárias.
O Ministério da Saúde reforçou que ainda não há comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina.
Orientação para quem tomou a dose recentemente
A recomendação das autoridades é que pessoas vacinadas há menos de 21 dias fiquem atentas a possíveis sintomas e procurem acompanhamento médico caso apresentem sinais de agravamento.
Entre os sintomas que devem ser observados estão febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, desidratação e piora do estado geral.
Segundo Esper Kallás, após esse período de 21 dias a pessoa passa a usufruir da proteção observada nos estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante.
Vacina segue sendo considerada eficaz
Apesar da suspensão preventiva, o Butantan e o Ministério da Saúde afirmam que os resultados obtidos durante as pesquisas continuam válidos.
Os estudos clínicos acompanharam cerca de 16 mil participantes durante cinco anos e apontaram eficácia global de 79,6%, além de proteção de 89% contra formas graves da dengue.
Kallás destacou que, com base nas informações disponíveis até agora, a vacina continua sendo considerada uma ferramenta importante no combate à doença, mas ressaltou que a continuidade da estratégia dependerá das conclusões das investigações em andamento.
O que acontece agora
Estados e municípios suspenderam temporariamente a aplicação das doses enquanto especialistas analisam os casos registrados.
A investigação será conduzida em conjunto pelo Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Butantan.
A expectativa é identificar se existe alguma relação entre os eventos graves observados após a vacinação e o imunizante ou se os casos ocorreram por outros fatores associados à circulação da dengue no país.
Com Informações da Assessoria
Foto: Divulgação
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus






