Cardiologista alerta para diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas durante entrevista na Jovem Pan News Manaus

Dra. Suely Regina destacou a importância do pré-natal, do ecocardiograma fetal e da rede de apoio às famílias durante participação no programa De Olho na Cidade

A cardiologista pediátrica Dra. Suely Regina participou do programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Manaus, para falar sobre a conscientização das cardiopatias congênitas e a importância do diagnóstico precoce. A especialista esteve recentemente no evento “Piquenique Corações Fortes”, iniciativa voltada ao apoio de famílias de crianças com doenças cardíacas e à divulgação de informações sobre o tema no Amazonas.

Durante a entrevista, a médica destacou que muitas cardiopatias podem ser identificadas ainda durante a gestação, permitindo planejamento adequado para o nascimento e tratamento da criança.

“Existe um exame chamado ecocardiograma fetal, realizado a partir de 24 semanas de gestação. Por meio dele, já é possível detectar malformações cardíacas e, a partir desse diagnóstico, planejar o nascimento e os cuidados futuros dessa criança”, explicou.

Diagnóstico ainda na gravidez pode salvar vidas

Segundo a especialista, a realização adequada do pré-natal é fundamental para identificar alterações cardíacas e garantir que a criança receba atendimento especializado desde os primeiros momentos de vida.

A médica ressaltou que, atualmente, alguns procedimentos já podem ser realizados ainda durante a gestação em centros especializados.

“Hoje em dia, já é possível realizar intervenções, inclusive ainda dentro do útero, em alguns serviços especializados. Isso não é algo novo: esse tipo de procedimento acontece no Brasil há pelo menos 20 anos”, afirmou.

Amazonas possui estrutura para cirurgias cardíacas pediátricas

Durante a entrevista, Dra. Suely Regina destacou os avanços alcançados pelo Amazonas no atendimento às crianças com cardiopatias congênitas.

Segundo ela, desde 2014 o Hospital Francisca Mendes conta com uma UTI especializada no pós-operatório de cirurgias cardíacas pediátricas.

“No Amazonas, desde 2014, existe uma UTI de pós-operatório para cirurgia cardíaca pediátrica no Hospital Francisca Mendes. Essa estrutura segue funcionando até hoje, acolhendo essas crianças”, destacou.

A médica reconheceu que a demanda é elevada e que ainda existem filas de espera, mas reforçou a importância da identificação precoce dos casos para auxiliar no planejamento da assistência.

Projeto Corações Fortes oferece apoio às famílias

Outro tema abordado foi o trabalho desenvolvido pelo projeto Pequenitos Corações Fortes, criado por pais que vivenciaram de perto a realidade das cardiopatias congênitas.

A iniciativa surgiu após a experiência de Fabrício e Lucilene, pais de uma criança que precisou passar por cirurgias cardíacas ainda nos primeiros anos de vida.

Segundo a médica, além do tratamento médico, muitas famílias enfrentam dificuldades financeiras e emocionais durante a jornada de cuidados.

“Muitas vezes faltava dinheiro para transporte, para comprar fraldas ou até mesmo acolhimento adequado. Foi então que eles entenderam que existiam dores que iam além da doença em si”, relatou.

Hoje, o grupo reúne famílias para oferecer orientação, apoio emocional e ajuda solidária a pais e responsáveis de crianças cardiopatas.

Cirurgias complexas e avanços da medicina

A cardiologista também explicou que as cirurgias cardíacas pediátricas estão entre os procedimentos mais complexos da medicina, mas ressaltou que os avanços tecnológicos aumentaram significativamente as chances de sucesso.

“É uma cirurgia extremamente complexa. A maioria das cirurgias cardíacas envolve um risco real de óbito. Mas houve uma enorme evolução técnica ao longo dos anos”, afirmou.

De acordo com a especialista, o Amazonas já realiza procedimentos considerados de alta complexidade e possui equipes capacitadas tanto na rede pública quanto na rede privada.

“Já temos resultados positivos em pacientes do nível mais alto de complexidade. Isso mostra que o nosso estado conta com profissionais capacitados e equipes treinadas para realizar esses procedimentos”, destacou.

Crianças podem ter vida normal após o tratamento

Ao final da entrevista, Dra. Suely Regina ressaltou que muitas crianças submetidas ao tratamento adequado conseguem desenvolver uma vida normal na fase adulta.

“Eu tenho pacientes adultos que hoje são engenheiros, profissionais ativos, trabalhando, vivendo uma vida completamente normal. A cardiopatia não define até onde alguém pode chegar”, afirmou.

Segundo ela, o acompanhamento médico contínuo e hábitos saudáveis são fundamentais para garantir qualidade de vida aos pacientes.

“Quando conseguimos oferecer o tratamento adequado, esse paciente não só sobrevive ele envelhece, vira adulto, vira senhor. A história mudou totalmente”, concluiu.

 

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.