Justiça aceita denúncia contra Deolane em caso de lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Influenciadora digital e outros investigados responderão a processo após denúncia do Ministério Público de São Paulo sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do PCC

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra a influenciadora digital Deolane Bezerra e outros investigados por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão foi proferida pela 3ª Vara de Presidente Venceslau e torna Deolane ré no processo.

A investigação é resultado da Operação Vérnix, deflagrada em maio deste ano, que apura a utilização de uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, como estrutura para movimentação e ocultação de recursos atribuídos à facção criminosa. Segundo os investigadores, o esquema teria operado entre 2018 e 2025.

Além de Deolane, a denúncia inclui Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder do PCC; Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, conhecido como Marcolinha ou Gordão; Leonardo Herbas Camacho; Paloma Sanches Camacho; e Everton de Souza, identificado nas investigações como operador financeiro do grupo.

De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, Deolane teria recebido valores provenientes da organização criminosa por meio da transportadora investigada. O inquérito aponta movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda formal declarada pela influenciadora, além de recebimentos sem origem identificada e aquisição de bens de alto valor.

Segundo a investigação, a atividade empresarial e a projeção pública da influenciadora teriam sido utilizadas como forma de conferir aparência de legalidade aos recursos movimentados.

Entre os elementos reunidos pelos investigadores estão depósitos em espécie realizados entre 2018 e 2021, que totalizaram R$ 1.067.505. Os valores teriam sido depositados de forma fracionada, em operações inferiores a R$ 10 mil, prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar o rastreamento financeiro.

A polícia afirma ainda que não encontrou registros de prestação de serviços jurídicos ou outras operações que justificassem os valores recebidos. A análise bancária também não identificou pagamentos compatíveis com os créditos informados nas transferências.

Com a aceitação da denúncia, Deolane terá prazo de dez dias para apresentar resposta à acusação.

Investigação começou em presídio de Presidente Venceslau

A apuração teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha mensagens atribuídas a integrantes do PCC e referências a ações internas da organização criminosa.

Durante a análise dos documentos, investigadores identificaram menções a uma mulher ligada a uma transportadora que estaria envolvida em levantamentos de informações sobre servidores públicos. A descoberta deu origem a novas linhas investigativas sobre a empresa de transportes.

As diligências concluíram que a transportadora funcionaria como empresa de fachada para movimentação de recursos da facção. Em 2021, a Operação Lado a Lado aprofundou as investigações e apontou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade econômica declarada pela empresa.

Um dos desdobramentos ocorreu após a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador do esquema. Segundo a polícia, o aparelho continha registros financeiros, imagens de depósitos e informações relacionadas à movimentação de recursos atribuídos à cúpula do PCC.

A partir da análise do material, investigadores identificaram operações financeiras envolvendo contas ligadas a Deolane Bezerra e Everton de Souza, conhecido como “Player”.

STJ manteve prisão da influenciadora

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia negado pedido de liberdade apresentado pela defesa de Deolane Bezerra. Por unanimidade, os ministros entenderam que o caso ainda depende da análise do mérito pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O relator do processo no STJ, ministro Ribeiro Dantas, afirmou que não identificou ilegalidade na decisão que manteve a prisão da influenciadora e considerou necessária a manifestação prévia da Justiça paulista sobre os argumentos da defesa.

Apesar de negar o pedido, o colegiado recomendou que o TJ-SP analise o caso com celeridade.

Defesa de Deolane

Até o momento, a defesa da influenciadora sustenta que não há elementos que comprovem participação dela em atividades ilícitas. O processo seguirá com a fase de apresentação das respostas dos acusados e análise das provas reunidas durante a investigação.

 

Foto: Reprodução / TV Globo

Com informaçoes do O Globo

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus