Brasil atinge menor taxa de homicídios da série histórica em 2024, aponta Atlas da Violência

País teve 42,5 mil homicídios no ano, queda em relação a 2023, mas estudo indica alta de mortes violentas sem causa definida
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A taxa de homicídios no Brasil atingiu, em 2024, o menor nível desde o início da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O país registrou 20,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024. O resultado representa queda de 7,4% em relação a 2023. Em números absolutos, foram 42.590 casos, redução de 6,9%.

O levantamento utiliza informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

No recorte de 2014 a 2024, o estudo aponta redução de 33,4% na taxa de homicídios e de 29,6% no total de registros.

Variação entre estados e regiões

O estudo mostra diferenças entre os estados. Maranhão e Ceará registraram aumento da taxa de homicídios entre 2023 e 2024, enquanto São Paulo manteve estabilidade.

As maiores quedas foram registradas no Amapá (-30,0%), Tocantins (-26,7%), Sergipe (-24,8%), Roraima (-22,8%) e Acre (-20,5%).

Em números absolutos, os maiores recuos ocorreram no Rio de Janeiro (-772), Bahia (-555), Rio Grande do Sul (-280), Goiás (-229) e Amazonas (-229).

Em 2024, as menores taxas foram registradas em São Paulo (6,6 por 100 mil habitantes), Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3), Minas Gerais (12,8) e Rio Grande do Sul (15,2). As maiores ocorreram no Amapá (45,7), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).

Entre municípios com mais de 100 mil habitantes, 17 dos 20 com maiores taxas de homicídios estão no Nordeste. As 20 cidades com menores índices estão no Sul e Sudeste.

Mortes sem causa definida e homicídios ocultos

O levantamento também registra 3.311 casos de Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI) em 2024, aumento de 23,8% em relação ao ano anterior.

O estudo indica ainda 17.207 mortes violentas sem definição de causa básica no período. Segundo o Ipea, 41% desses casos podem corresponder a homicídios não identificados.

A metodologia do Atlas estima 7.083 homicídios ocultos em 2024, obtidos a partir da análise das MVCI.

De acordo com o pesquisador Daniel Cerqueira, a classificação considera padrões estatísticos das vítimas e das circunstâncias dos óbitos.

O estudo aponta crescimento de 88,6% nos homicídios ocultos entre 2023 e 2024, com taxa passando de 1,8 para 3,3 por 100 mil habitantes.

Esses casos representaram 14,3% dos homicídios estimados em 2024, contra 7,6% no ano anterior.

No período de 2014 a 2024, o país acumulou cerca de 55,2 mil homicídios ocultos e 638,8 mil homicídios estimados.

Tendência histórica

Na série de 2014 a 2024, a taxa estimada de homicídios caiu 26,9% no país. O estudo aponta diferenças regionais e variações entre estados no período.

O Amapá registrou a maior alta da taxa estimada no período (+24,3%), seguido de Pernambuco (+0,8%). As maiores quedas ocorreram no Distrito Federal (-64,8%), Goiás (-56,9%), Sergipe (-53,4%), Rio Grande do Norte (-46,7%) e Alagoas (-39,6%).


Com informações da Semcom*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus