As exportações da China atingiram o maior valor mensal da história em junho, somando US$ 412 bilhões. O resultado representa crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano passado e foi impulsionado pela demanda global por infraestrutura de inteligência artificial (IA), segundo dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas.
No mesmo período, a China exportou mais de 1 milhão de veículos pela primeira vez em um único mês, contribuindo para o aumento da balança comercial do país.
As importações também registraram alta acima das expectativas, com avanço de 36% na comparação anual, o maior ritmo em cinco anos. Com isso, o superávit comercial chinês alcançou US$ 125,6 bilhões, o segundo maior resultado mensal já registrado pelo país.
No acumulado do primeiro semestre, as exportações cresceram quase 18% e ultrapassaram US$ 2 trilhões.
Demanda por inteligência artificial impulsiona comércio
A expansão dos investimentos em inteligência artificial alterou o comércio internacional de produtos tecnológicos. A construção de data centers elevou a demanda por chips e componentes eletrônicos, provocando escassez global e aumento de preços de alguns semicondutores em até 700% nos últimos 12 meses.
Como consequência, as exportações chinesas de semicondutores cresceram 122% em valor, medido em dólares, na comparação com junho do ano passado, registrando o maior avanço em 13 anos.
Entretanto, quando analisadas em volume, as vendas externas do setor recuaram 0,4%, a primeira queda em mais de dois anos. O aumento dos preços também influenciou o crescimento de 53% nas exportações de computadores e componentes.
O economista-chefe da Guotai Junan International Holdings, Hao Zhou, afirmou que a demanda por infraestrutura de inteligência artificial, eletrônicos avançados e bens de capital continua sustentando as exportações da indústria chinesa.
Já Brad Setser, ex-integrante do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e atualmente membro do Conselho de Relações Exteriores, classificou os dados do comércio exterior chinês de junho como “ao mesmo tempo fascinantes e um tanto insanos”.
Exportação de veículos supera 1 milhão pela primeira vez
Além da tecnologia, a indústria automobilística também contribuiu para o desempenho das exportações.
A China exportou mais de 1 milhão de veículos em junho, marca inédita para o país. Em valor, as vendas externas do setor cresceram 70% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
As montadoras chinesas de veículos elétricos ampliaram participação no mercado internacional em meio aos preços elevados do petróleo e passaram a responder por mais de 15% das vendas de automóveis na Europa no início deste ano.
Outros segmentos também registraram crescimento. As exportações de navios aumentaram 42%, enquanto as vendas externas de eletrodomésticos avançaram 15%.
Superávit comercial com a União Europeia cresce
O avanço das exportações de veículos chineses ampliou o superávit comercial com a União Europeia.
Em junho, o saldo positivo da China com o bloco chegou a US$ 32,9 bilhões, alta de 27% em relação ao mesmo mês do ano passado e novo recorde na relação comercial entre as partes.
Economistas do Macquarie Group, liderados por Larry Hu, afirmaram que o aumento do superávit mantém elevado o risco de um conflito comercial entre a China e a União Europeia, mesmo após uma trégua comercial de três meses.
No primeiro semestre, a China importou US$ 135,6 bilhões em mercadorias da União Europeia, alta de 9%. No mesmo período, exportou US$ 312,3 bilhões para o bloco, crescimento de 17%.
Cenário para o segundo semestre
A Administração Geral das Alfândegas informou que o comércio exterior chinês deverá enfrentar desafios nos próximos meses em razão do aumento das barreiras comerciais, da inflação global e dos conflitos geopolíticos.
Segundo o vice-diretor do órgão, Wang Jun, a China mantém a expectativa de preservar o ritmo das exportações, apesar da volatilidade do cenário internacional.
Mesmo com o impulso da inteligência artificial sobre a atividade econômica, a expectativa é que o crescimento da economia chinesa fique próximo do limite inferior da meta oficial, entre 4,5% e 5%, no segundo trimestre.
Analistas avaliam que a dependência das exportações pode ampliar a vulnerabilidade da economia chinesa caso haja desaceleração da demanda mundial.
Outro indicador que chamou atenção foi a queda nas importações de petróleo bruto. Em junho, a China importou 29 milhões de toneladas, volume 41% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado e o menor em quase dez anos, em meio às tensões envolvendo o Irã e às mudanças no mercado internacional de energia.
Com informações do o Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






