O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) encerrou a atuação na ocorrência envolvendo o vazamento de gás estireno registrado na Unidade IV da empresa Innova, no Distrito Industrial de Manaus. Uma nova inspeção confirmou que o tanque atingido permanece estabilizado e sem emissão de gases para a atmosfera.
O vazamento foi controlado no domingo (19), quatro dias após o início da ocorrência, registrada às 17h36 do dia 15 de junho. O problema ocorreu após o monômero de estireno armazenado no reservatório apresentar elevação anormal de temperatura. A empresa classificou o caso como uma emergência química.
Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, a vistoria realizada confirmou que não havia alteração no cenário.
“Realizamos uma nova inspeção e constatamos que o cenário permanece controlado, sem emissão de gases para a atmosfera. Com isso, o Corpo de Bombeiros conclui a fase operacional da ocorrência”, afirmou.
Com o encerramento das atividades, a estrutura montada para atendimento da emergência foi desmontada. A empresa responsável ficará encarregada da retirada do tanque e da destinação do material gerado pela reação de polimerização do estireno. O procedimento deve ocorrer ao longo dos próximos meses.
O Governo do Amazonas informou que continuará acompanhando os trabalhos por meio dos órgãos responsáveis. O Corpo de Bombeiros permanecerá em alerta caso seja necessária uma nova intervenção.
Perícia investiga causas do vazamento
O Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) iniciou a perícia na Unidade IV da Innova para identificar as causas e circunstâncias do incidente, que é investigado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).
Nesta primeira etapa, os peritos realizaram uma avaliação da área e utilizaram drones para registrar imagens e coletar informações que auxiliem na investigação.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), os trabalhos continuarão nos próximos dias e todas as hipóteses serão analisadas tecnicamente.
O laudo pericial ainda não tem prazo para conclusão. A SSP-AM informou que o tempo de elaboração depende do volume de informações e dos vestígios encontrados no local.
Empresas suspenderam atividades durante restrições
Durante o período de restrições após o vazamento, mais de 20 empresas do Polo Industrial de Manaus interromperam as atividades. A informação foi divulgada pelo superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Leopoldo Montenegro.
A própria Suframa adotou trabalho remoto por dois dias. Segundo Montenegro, os impactos econômicos ainda estão sendo levantados pela área de estudos econômicos da autarquia.
A Suframa orientou, na quinta-feira (16), que empresas avaliassem as condições de segurança e liberassem trabalhadores das atividades presenciais caso fosse necessário.
As atividades foram retomadas após uma decisão colegiada no domingo (19), que autorizou o retorno das empresas do Polo Industrial, unidades de ensino da rede estadual e serviços públicos suspensos desde o início da ocorrência.
Moradores da área próxima à fábrica relataram que não receberam orientações sobre procedimentos de segurança em casos de acidentes químicos. Uma moradora que vive a cerca de um quilômetro da unidade afirmou que desconhecia a possibilidade de ocorrências desse tipo na região.
Suframa notificou empresa e acompanha medidas
A Suframa informou que notificou a Innova para obter informações sobre o cumprimento do projeto industrial e encaminhou documentos ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para verificar a licença de operação e o plano de contingência da empresa.
Segundo o órgão, o acompanhamento da Suframa está relacionado aos projetos industriais e ao Processo Produtivo Básico (PPB), enquanto a fiscalização ambiental é de responsabilidade do Ipaam.
A autarquia também informou que mantém uma força-tarefa voltada à segurança industrial do Polo Industrial de Manaus, com participação de órgãos como Ipaam e Corpo de Bombeiros.
Empresa recebeu multas superiores a R$ 20 milhões
A Innova foi multada em R$ 22,4 milhões após inspeções realizadas pelo Ipaam e por uma força-tarefa formada por órgãos municipais.
A Prefeitura de Manaus aplicou duas multas que somam R$ 9.901.600. A primeira, de R$ 4.554.300, foi aplicada por poluição do ar causada pela emissão de gases. A segunda, no valor de R$ 5.347.300, ocorreu após identificação de poluição do solo e de corpo hídrico.
Durante a fiscalização, equipes municipais utilizaram drones com câmeras térmicas e identificaram uma fissura na bacia de contenção do tanque. A fábrica teve parte da operação interditada.
O Ipaam aplicou multa de R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental relacionada à poluição atmosférica provocada pelo vazamento.
Os valores arrecadados pela Prefeitura serão destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA). O Governo do Estado não informou a destinação dos recursos provenientes da multa estadual.
Entenda o caso
O vazamento de monômero de estireno ocorreu na Unidade IV da Innova, no Distrito Industrial de Manaus. O odor do produto químico foi percebido em bairros próximos e levou à evacuação de um shopping localizado nas proximidades da empresa.
O monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido, conhecido como isopor. A exposição ao produto por inalação pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de sintomas como dor de cabeça, tontura e náusea.
Desde o início da ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros atuaram no resfriamento do tanque para controlar a temperatura e evitar novos riscos. A principal hipótese analisada pela corporação é de uma reação espontânea no interior da estrutura.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






