Acordo Mercosul-UE entra em vigor e zera tarifas para mais de 80% das exportações brasileiras

Medida amplia acesso a mercado de 700 milhões de consumidores e pode elevar competitividade da indústria nacional no curto prazo

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia passa a valer nesta sexta-feira (1º), com impacto direto nas exportações brasileiras. Na largada da implementação, mais de 80% dos produtos enviados pelo Brasil ao bloco europeu passam a ter tarifa de importação zerada, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A medida reduz custos de entrada no mercado europeu e amplia a competitividade dos produtos brasileiros frente a concorrentes internacionais. Ao todo, mais de 5 mil itens devem ser beneficiados já nesta fase inicial, incluindo bens industriais, alimentos e matérias-primas.

Entre os produtos com tarifa zerada imediata, cerca de 93% pertencem ao setor industrial, indicando que a indústria brasileira tende a concentrar os principais ganhos no curto prazo. Segmentos como máquinas e equipamentos, alimentos, metalurgia, materiais elétricos e produtos químicos estão entre os mais impactados.

No caso de máquinas e equipamentos, praticamente todas as exportações passam a entrar sem tarifas, abrangendo itens como compressores, bombas industriais e peças mecânicas. A redução de custos pode estimular o aumento do volume exportado e a ampliação de contratos comerciais.

O acordo também amplia significativamente o alcance do Brasil no comércio internacional. Com a inclusão da União Europeia, o país passa a ter acesso facilitado a um mercado que, junto ao Mercosul, soma mais de 700 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto trilionário.

Atualmente, acordos comerciais do Brasil cobrem cerca de 9% das importações globais. Com a entrada do bloco europeu, esse percentual pode ultrapassar 37%, consolidando uma nova escala de inserção internacional para empresas brasileiras.

Além da redução de tarifas, o tratado estabelece regras comuns para comércio, padrões técnicos e compras governamentais, o que tende a aumentar a previsibilidade e a segurança jurídica para os exportadores.

A implementação ocorre de forma provisória e ainda será analisada pelo Tribunal de Justiça da União Europeia. Nem todos os setores terão abertura imediata, com prazos de adaptação que podem chegar a até 30 anos, a depender do segmento.

Com Informações da Agência Brasil

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus