O influenciador digital Gabriel Silva passou a ser alvo de apuração do Ministério Público do Amazonas (MPAM) após publicar vídeos nas redes sociais com críticas à Zona Franca de Manaus e declarações sobre os trabalhadores do Polo Industrial. A informação foi confirmada pelo órgão nesta terça-feira, 19.
A investigação preliminar ocorre por meio de duas notícias de fato abertas pela 91ª Promotoria de Justiça de Manaus, após denúncia apresentada pela Associação Comercial do Amazonas (ACA). A entidade aponta possíveis crimes de xenofobia regionalista e atentado contra a ordem econômica.
Em um vídeo publicado no último dia 11 de maio, Gabriel Silva afirmou que a Zona Franca “não produz nada” e declarou que os produtos seriam montados “em fábricas tudo em cima de árvores”. Em outro trecho, o influenciador afirmou que os consumidores “pagam mais caro” para “empregar estes índios”. O conteúdo ultrapassou 655 mil visualizações nas redes sociais.
Segundo a ACA, as declarações ultrapassam o limite da crítica e utilizam estereótipos regionais para atacar a população amazonense e a indústria instalada no estado. No documento encaminhado à procuradora-geral do MPAM, Leda Mara Nascimento Albuquerque, a associação afirma que o alcance digital do influenciador amplia os impactos das falas.
“O alcance digital do denunciado é vasto, o que potencializa o dano. Suas falas induzem a quase um milhão de seguidores ao preconceito contra o povo e a economia amazonense”, afirmou a entidade em trecho da representação.
A ACA também sustenta que as publicações podem prejudicar a imagem da Zona Franca de Manaus e do Polo Industrial ao sugerir que os produtos fabricados na capital amazonense não possuem relevância industrial.
Pedidos feitos ao MP
Entre as medidas solicitadas ao Ministério Público estão a abertura de procedimento investigatório criminal, a designação de promotoria especializada, a preservação dos vídeos e dados das publicações, além da remoção dos conteúdos considerados ofensivos.
A entidade também pediu eventual ação civil pública por danos morais coletivos.
Influenciador mudou discurso
Após a repercussão do caso e a divulgação de que o MPAM havia recebido o pedido de investigação, Gabriel Silva publicou um novo vídeo afirmando que rasgaria e queimaria a notificação enviada pelo Ministério Público.
Dois dias depois, porém, o influenciador mudou o posicionamento. Em outra publicação, ele afirmou que foi orientado a gravar o conteúdo e pediu desculpas aos amazonenses pelas declarações. Procurado para comentar o caso, Gabriel Silva declarou que considera estranho “um influenciador desconhecido gerar mais revolta do que políticos que roubam o povo descaradamente”.
MP diz que ainda não há acusação formal
O Ministério Público do Amazonas informou que as notícias de fato servem para reunir informações iniciais sobre os episódios relatados e destacou que, até o momento, não existe acusação formal nem conclusão sobre eventual crime.
Segundo o órgão, após a análise das informações, poderão ser adotadas medidas extrajudiciais, abertura de investigação própria ou eventual ação judicial, conforme previsão legal.
Com Informações do G1 Amazonas
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus





