Após valas da Covid, cemitério em Manaus vira alvo do MP-AM por risco ambiental e falta de licença

Justiça dá 30 dias para regularização do espaço; órgão aponta possível contaminação do solo e do lençol freático

Seis anos após o período mais crítico da pandemia de Covid-19, quando imagens de valas comuns no cemitério Nossa Senhora de Aparecida repercutiram mundialmente, o local volta ao centro de um novo problema. O Ministério Público do Estado do Amazonas aponta que o cemitério opera sem licenciamento ambiental e que os enterros realizados sem medidas sanitárias adequadas podem ter agravado a contaminação do solo e da água subterrânea. Durante o auge da crise, Manaus chegou a registrar mais de 100 enterros por dia, com picos superiores a 300 mortes diárias.

De acordo com o MP-AM, a ausência de licença impede a avaliação dos impactos ambientais da atividade.

“A ausência de licenciamento impede a avaliação dos impactos ambientais da atividade, especialmente quanto ao risco de contaminação do solo e do lençol freático pelo necrochorume”, diz o órgão. O necrochorume é o líquido gerado pela decomposição dos corpos, com alto potencial de poluição e risco à saúde pública.

A Justiça do Amazonas determinou prazo de 30 dias para que seja comprovado o pedido de licenciamento ambiental, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. Na decisão, o juiz destacou que a operação do cemitério sem regularização representa um risco contínuo.

“A operação de um cemitério sem o devido licenciamento ambiental representa um risco contínuo e progressivo ao meio ambiente e à saúde pública”, aponta o documento.

Especialistas também alertam para os impactos a longo prazo. O epidemiologista Jesem Orellana afirma que a falta de medidas adequadas pode gerar doenças relacionadas à água contaminada.

“Se você não impermeabiliza as sepulturas ou não usa medidas para evitar que o necrochorume infiltre no lençol freático, podemos continuar tendo vários problemas relacionados à saúde humana”, explicou.

O pesquisador defende a adoção de soluções como impermeabilização de túmulos, sistemas de drenagem e até alternativas como cemitérios verticais e cremação, como forma de reduzir impactos ambientais e evitar novos riscos sanitários.

Com Informações da Revista Cenarium

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus