O caso da mulher de 37 anos presa em Santa Catarina após fingir ser uma adolescente de 12 anos continua revelando novos detalhes. Desta vez, uma assistente social de Minas Gerais afirmou que já suspeitava que Amanda Maria Souza de Oliveira não era uma criança muito antes da descoberta que levou à prisão da investigada por falsa identidade e estelionato.
A declaração foi dada por Delma Soares, diretora de uma casa de acolhimento em Belo Horizonte, que conviveu com Amanda em 2017. Na época, a mulher utilizava outra identidade e se apresentava como uma adolescente em situação de vulnerabilidade.
O relato reforça a dimensão do esquema que, segundo as investigações, se repetiu em diferentes estados brasileiros ao longo dos últimos anos.
Suspeita surgiu após episódio de agressividade
Segundo Delma, a principal desconfiança surgiu durante um episódio ocorrido quando Amanda passava alguns dias em sua residência por meio de um programa de apadrinhamento afetivo.
A assistente social conta que precisou fazer uma viagem de emergência para acompanhar um familiar doente no Espírito Santo. Com isso, informou à suposta adolescente que ela precisaria retornar ao abrigo antes das festas de fim de ano.
A reação chamou a atenção.
De acordo com Delma, Amanda passou a quebrar objetos da casa e desferiu socos e chutes contra o portão de ferro da residência.
“Eu tinha certeza de que ela era maior. Só não tinha como provar. Ela tinha uma aparência infantil e conseguia reproduzir muitos comportamentos de uma criança. Mas naquele momento eu percebi características que não batiam com a idade que ela dizia ter”, relatou.
A assistente social afirma que a força física demonstrada e a mudança repentina de comportamento foram fatores que aumentaram suas suspeitas.
Desconfiança não foi levada a sério
Mesmo compartilhando suas impressões com pessoas ligadas à rede de proteção à criança e ao adolescente, Delma afirma que encontrou resistência.
Segundo ela, a aparência jovem e a forma como Amanda construía suas histórias faziam com que poucas pessoas acreditassem em suas suspeitas.
“Quando eu dizia que ela era maior de idade, as pessoas achavam que eu estava equivocada. Eu não tinha provas, apenas a convicção construída pela convivência com ela”, afirmou.
A diretora relata que Amanda demonstrava facilidade para conquistar a confiança das pessoas, principalmente ao apresentar histórias envolvendo abandono, violência e vulnerabilidade social.
Passagem por abrigo em Belo Horizonte
Amanda chegou ao abrigo em 2017 utilizando o apelido de “Karol”. Durante o período em que permaneceu na instituição, desenvolveu uma relação próxima com funcionários e voluntários.
Delma conta que recebia cartas, desenhos e bilhetes escritos pela jovem, reforçando a imagem de uma adolescente fragilizada e necessitando de acolhimento.
Na ocasião, Amanda também apresentava ferimentos pelo corpo. Conforme a assistente social, exames realizados em um hospital da capital mineira identificaram a presença de objetos metálicos sob a pele, incluindo fragmentos de agulhas e pedaços de arame.
Os episódios contribuíram para fortalecer a narrativa de sofrimento apresentada por ela às instituições de acolhimento.
Caso ganhou repercussão nacional
A história veio à tona nesta semana após a prisão de Amanda em Joinville, no Norte de Santa Catarina.
Segundo a Polícia Civil, ela viveu por aproximadamente 14 meses com uma família que acreditava estar acolhendo uma adolescente de 12 anos chamada “Gabriele”. A mulher alegava ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos.
Durante esse período, foi tratada como filha pelos moradores da casa, recebeu apoio financeiro, cuidados e chegou até mesmo a ganhar uma festa de aniversário.
As investigações apontam que Amanda utilizava comportamentos infantilizados para sustentar a falsa identidade, incluindo o uso de chupeta, mamadeira e objetos de apego.
Registros em vários estados
A Polícia Civil informou que Amanda possui registros semelhantes em diferentes regiões do país.
Além de Santa Catarina e Minas Gerais, há ocorrências relacionadas a passagens por Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Em algumas situações, ela teria utilizado nomes diferentes e apresentado versões semelhantes sobre abandono familiar, violência doméstica e necessidade de proteção.
Agora, os investigadores tentam identificar possíveis novas vítimas e entender a extensão dos prejuízos causados ao longo dos anos.
Defesa aguarda exames
A Justiça de Santa Catarina decretou a prisão preventiva da investigada.
A defesa informou que identificou elementos que justificam a realização de exame de sanidade mental e aguarda o resultado das perícias para definir quais medidas serão adotadas no processo.
Enquanto isso, o caso segue sob investigação e continua chamando atenção pela complexidade da falsa identidade construída ao longo de anos em diferentes estados brasileiros.
Com Informações do G1
Foto: Reprodução
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus






