Aterro no Chile lidera ranking global de emissões de metano, aponta Pnuma

Estudo com base em imagens de satélite identifica unidade próxima a Santiago como maior fonte de emissão do gás
Foto: reuters

Um aterro sanitário localizado nos arredores de Santiago, no Chile, foi identificado como a maior fonte de emissões de metano de origem humana no mundo. A informação consta em estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com base em imagens de satélite.

O aterro Lomas Los Colorados está situado a cerca de 60 quilômetros ao norte da capital chilena e lidera um ranking com 50 locais que registram os maiores níveis de emissão do gás.

A área recebe resíduos da região metropolitana de Santiago, onde vivem mais de 7 milhões de pessoas.

Volume de emissões

Segundo o levantamento, o aterro gera mais de 102 mil toneladas de metano por ano. O volume equivale às emissões anuais de quase 2 milhões de veículos.

O dado supera em cerca de 20 mil toneladas o segundo colocado da lista, uma instalação de petróleo e gás localizada no Turcomenistão.

O metano é liberado por atividades como aterros sanitários, produção agropecuária e uso de combustíveis fósseis. O gás tem potencial de aquecimento até 80 vezes maior que o dióxido de carbono em um horizonte de curto prazo, embora permaneça menos tempo na atmosfera.

De acordo com o sistema de monitoramento do Pnuma, o metano responde por cerca de um terço do aumento da temperatura global.

Impacto climático e local

Para especialistas, a redução das emissões de metano é uma das medidas com efeito mais rápido no enfrentamento das mudanças climáticas.

“O aterro é uma megafonte de metano que pode ter efeitos não apenas no Chile, mas em nível global”, afirmou Juan José Garces, da Universidade de Santiago.

Moradores da região relatam impactos diretos. “Morar ao lado desse aterro significa que eles vêm tornando nossa vida miserável 24 horas por dia desde que se instalaram ali — por causa das moscas, do mau cheiro e do lixo deixado do lado de fora, lixo que acaba aqui na nossa propriedade”, disse o aposentado Patricio Salgado, 70.

“Não podemos fazer nada, absolutamente nada [contra o aterro], porque essas empresas são tão poderosas que compram as pessoas”, afirmou.

Resposta da empresa e alternativas

A empresa KDM, responsável pela operação do aterro, informou que mantém desde 2007 um programa de captura de metano para geração de biogás, utilizado em uma usina local. Em nota, a companhia afirmou que o estudo do Pnuma “não permite tirar conclusões representativas”.

Especialistas defendem a adoção de tecnologias para reduzir emissões. Marcelo Mena, da Universidade Católica de Valparaíso, aponta alternativas como digestão anaeróbia e compostagem.

“Existe um problema real aqui que precisa ser enfrentado. E esse problema também afeta as comunidades, que muitas vezes são impactadas pelos maus odores de origem sanitária”, afirmou.


Com informações da Folha de São Paulo*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus