UFAM registra tensão política no campus e reforça defesa do pluralismo

Reitora Tanara Lauschner fala sobre episódios ocorridos dentro da instituição e destaca universidade como espaço de diálogo e diversidad

A Universidade Federal do Amazonas voltou ao centro do debate público após episódios recentes de confronto e vandalismo dentro do campus, que envolveram a destruição de cartazes estudantis e discussões e ofensas entre integrantes da comunidade acadêmica, agentes políticos e pessoas de fora da instituição. Os casos, registrados em vídeo e amplamente compartilhados nas redes sociais, levantaram questionamentos sobre os limites da atuação política dentro da universidade e reacenderam o debate sobre o papel da instituição como espaço de pluralidade, diálogo e liberdade de expressão.

Os registros mostram, entre as situações, a retirada e destruição de cartazes com pautas sociais expostos no Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), além de um episódio de confronto envolvendo um professor que, segundo a universidade, atuava na defesa de estudantes diante de uma situação de intimidação.

Em entrevista ao programa Minuto a Minuto, da Jovem Pan News Manaus, apresentado pelos jornalistas Tatiana Sobreira e Jackson Nascimento, a reitora da universidade, professora doutora Tanara Lauschner, comentou sobre os episódios recentes e reforçou o posicionamento institucional diante dos acontecimentos. Em nota oficial, a universidade afirmou que poderá adotar medidas administrativas e acionar autoridades competentes diante de ataques ao patrimônio e à livre manifestação. “Defender a universidade é defender a liberdade de pensar e reforçou que não admite práticas de censura, intimidação ou violência”, destacou a reitora.

Ao comentar sobre o episódio e contextualizar o funcionamento do ambiente acadêmico, a reitora destacou que o espaço universitário é, por essência, construído a partir do confronto de ideias e da convivência entre diferentes visões de mundo, o que exige respeito às divergências como base do processo formativo.

A universidade sempre foi um espaço para o debate de ideias, para o debate de opiniões, não só políticas ou ideológicas, mas também científicas e sociais. É assim que as coisas funcionam na academia”, afirmou.

Ainda na avaliação da gestora, “embora o conflito de opiniões seja parte legítima da dinâmica universitária, há limites institucionais claros que precisam ser respeitados para garantir a integridade da comunidade acadêmica e o funcionamento democrático do espaço. Podemos divergir, debater, mas quando parte para agressão, é claro que é algo que não cabe dentro da universidade”, disse.

A universidade reforçou, ainda, que não pretende restringir o acesso ao campus, reiterando seu caráter democrático e aberto à sociedade. Em manifestação institucional, destacou que o ambiente acadêmico deve ser preservado como um espaço plural, onde diferentes perspectivas possam coexistir sem imposição de pensamento único.

Os episódios também motivaram mobilização estudantil. Um dossiê foi entregue à reitoria reunindo relatos, análises jurídicas e dados sobre casos semelhantes no país, além de pedidos de providências e acompanhamento por órgãos federais.

Ao detalhar as providências adotadas pela administração superior, a reitora afirmou que a universidade já iniciou procedimentos internos e articulações com órgãos de controle e investigação, buscando garantir a apuração dos fatos dentro dos marcos legais.

“Nós já instauramos procedimentos internos, encaminhamos material para o Ministério Público Federal e para a Polícia Federal, e vamos avaliar também medidas jurídicas cabíveis”, explicou Tanara.

Ela ressaltou ainda que todas as ações seguem os princípios democráticos e institucionais, com respeito ao devido processo legal, às garantias individuais e que

“todas as providências são tomadas dentro do Estado Democrático de Direito, garantindo o contraditório e a ampla defesa. Não se trata de perseguição ou censura”, pontuou.

Diante do cenário, a reitora também demonstrou preocupação com a possibilidade de escalada dos conflitos e reforçou a necessidade de preservação do ambiente universitário como espaço seguro para o debate e que é necessário evitar situações como essa escalonem para violência e que a Universidade Pública não é um espaço para intimidações,” afirmou.

Projetos e avanços: universidade amplia acesso e reforça inclusão

Apesar do cenário de tensão recente, a entrevista também destacou iniciativas consideradas estratégicas pela gestão atual da universidade, com foco na ampliação do acesso, permanência estudantil e interiorização do ensino superior.

A reitora ressaltou que, em menos de um ano de gestão, houve aumento no número de estudantes ingressantes, com redução de vagas ociosas em todos os campi.

Nós conseguimos ampliar o número de alunos na universidade, tanto em Manaus quanto no interior. Isso é fundamental para garantir que mais pessoas tenham acesso ao ensino superior público”, explicou.

Entre as medidas implementadas, está a criação do auxílio calouro, voltado especialmente para estudantes em início de curso, fase em que se concentra o maior índice de evasão.

“O objetivo é oferecer um suporte inicial para que o aluno consiga se manter na universidade, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade”, afirmou.

Outro destaque , dito durante a entrevista, foi sobre a implantação da Cuidoteca, espaço voltado ao acolhimento de filhos de estudantes, inicialmente no período noturno, com previsão de ampliação.
São políticas que dialogam com a realidade dos estudantes do Amazonas. Hoje, o perfil dos estudantes mudou, pois conta com um número ainda maior de com alunos oriundos da escola pública, indígenas e de baixa renda e a Ufam acompanha essa transformação.

A reitora também destacou ações voltadas à inclusão e interiorização, como a expansão para o município de São Gabriel da Cachoeira, considerado o mais indígena do país.

“Estamos levando a universidade para onde ela precisa estar. Isso inclui ampliar oportunidades para populações historicamente excluídas e respeitar as especificidades da nossa região”, afirmou.

Ao final da entrevista, Tanara Lauschner reforçou o papel social da universidade e a necessidade de defesa permanente do ensino público como um ambiente onde exista liberdade de expressão, diversidade de pensamento e respeito às diferenças

 

Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus