A bailarina brasileira Bethania Nascimento será homenageada nesta quinta-feira (16), em Nova York, durante a reestreia do balé “O Pássaro de Fogo”, pela companhia Dance Theatre of Harlem. A apresentação marca o retorno da artista ao palco onde foi intérprete do papel principal nos anos 2000.
Bethania foi uma das principais intérpretes da montagem na companhia e a única brasileira a assumir o papel em quatro décadas de história. A participação no espetáculo levou a bailarina a turnês por mais de 20 países e à promoção a primeira bailarina, o que abriu caminho para outras artistas negras no balé clássico internacional.
A obra, em versão afro-caribenha, integra a temporada da companhia e mantém a narrativa de renascimento associada ao personagem central. Em entrevistas, a bailarina afirma que a trajetória foi construída com esforço e resiliência, em meio a um ambiente com baixa representatividade de mulheres negras na dança clássica.
“Esse evento é uma forma de celebrar a nossa história, enquanto mulheres negras, há muita invisibilidade”, afirmou.
A artista também comenta a ausência de bailarinas negras em espaços tradicionais do balé no Brasil e cita a falta de oportunidades ao longo da carreira, além de episódios de racismo enfrentados desde a formação.
“Quando você chega ao Theatro Municipal, no Brasil, para assistir a um balé, o que você vê?”, questiona.
Após duas décadas na Dance Theatre of Harlem, Bethania atua atualmente como coreógrafa e treinadora em companhias internacionais e mantém atividades ligadas ao legado da mãe, a intelectual Maria Beatriz Nascimento.
A Dance Theatre of Harlem, que projetou Bethania, foi fundada em 1969 pelo bailarino afro-americano Arthur Mitchell e pelo coreógrafo e escritor Karel Shook, no auge do movimento em defesa dos direitos civis dos negros, nos Estados Unidos.
Na montagem afrofuturista do Pássaro de Fogo, a coreografia é de John Taras e os cenários e figurinos são do multi-artista Geoffrey Holder. Original de Trinidad e Tobago, Holder imprimiu cores para o conto de Igor Stravinsky e conectou o enredo com a diáspora africana.






