Casa Branca estima economia de US$ 529 bilhões com acordos de Trump para reduzir preços de medicamentos

Governo dos EUA projeta impacto em 10 anos, enquanto parlamentares questionam falta de transparência nos contratos com farmacêuticas

Economistas da Casa Branca estimam que os acordos firmados pelo presidente Donald Trump com empresas farmacêuticas podem gerar economia de US$ 529 bilhões para a economia dos Estados Unidos ao longo de 10 anos. A análise foi elaborada pelo Conselho de Assessores Econômicos do governo e obtida pela agência Associated Press.

O cálculo considera a política que busca reduzir os preços de medicamentos prescritos nos EUA, alinhando-os aos valores praticados em outros países desenvolvidos. A proposta é parte da estratégia do governo para responder às preocupações com o custo de vida, tema central no debate político antes das eleições de meio de mandato de novembro, que definirão o controle do Congresso.

Segundo a Casa Branca, os acordos envolvem 17 grandes farmacêuticas, mas poucos detalhes foram divulgados publicamente, o que limita a verificação independente das projeções. Um dos modelos apresentados na análise aponta que a economia total pode chegar a US$ 733 bilhões ao longo de uma década, à medida que novos medicamentos forem incluídos no sistema.

Impacto fiscal e no sistema de saúde

O governo também projeta redução de US$ 64,3 bilhões nos gastos públicos com o programa Medicaid no período de 10 anos, com base na política chamada de “nação mais favorecida”, que estabelece limites de preços com base em referências internacionais.

Dados oficiais indicam que os Estados Unidos gastaram US$ 467 bilhões com medicamentos prescritos em 2024, o que dimensiona o potencial impacto da medida. A análise considera que parte do ajuste ocorreria com aumento de preços em outros países, ampliando as receitas das farmacêuticas e mantendo a capacidade de investimento em novos tratamentos.

Reação política e questionamentos

Parlamentares do Partido Democrata têm questionado os números apresentados pelo governo e cobram mais transparência sobre os acordos. O senador Ron Wyden apresentou proposta para obrigar a divulgação dos termos firmados com as empresas.

“Se esses acordos são tão vantajosos, por que o governo Trump tem medo de mostrá-los ao público?”, afirmou o senador ao anunciar a medida.

O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., declarou que informações poderão ser divulgadas, desde que não envolvam dados confidenciais ou segredos comerciais.

Outra crítica foi apresentada por aliados do senador Bernie Sanders, que divulgaram análise indicando aumento de 66% nos lucros combinados de 15 farmacêuticas participantes do programa, totalizando US$ 177 bilhões no último ano. O relatório também aponta que mudanças tributárias teriam limitado a inclusão de medicamentos de maior custo nas negociações.

Avaliações econômicas e projeções anteriores

Em outubro de 2024, o Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA avaliou proposta semelhante e estimou redução superior a 5% nos preços dos medicamentos. O órgão também indicou que o impacto tende a diminuir ao longo do tempo, conforme ajustes das empresas em preços e distribuição internacional.

O governo rebate as críticas e afirma que análises contrárias consideram preços de tabela, e não os valores efetivamente pagos pelos consumidores.

Durante evento com eleitores na Flórida, Trump afirmou que a política já resulta em redução de preços. “Agora vocês têm os preços de medicamentos mais baixos do mundo”, declarou.

Contexto econômico

A proposta ocorre em meio a pressões sobre o custo de vida nos Estados Unidos, agravadas pelo aumento dos preços da energia em função de tensões geopolíticas envolvendo o Irã. O governo defende que a redução dos preços de medicamentos é parte da resposta a esse cenário.


Com informações da Folha de São Paulo*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus