A Justiça Federal em Tabatinga defendeu que o julgamento de Ruben Dario da Silva Villar, conhecido como “Colômbia”, seja realizado em Manaus. Ele responde como acusado de ser o mandante dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, mortos em 2022 durante uma viagem pelo Vale do Javari, no interior do Amazonas.
A manifestação foi assinada nesta terça-feira (18) pela juíza federal Cristina Lazzari Souza e atende a um pedido apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF). O processo agora será encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que terá a responsabilidade de decidir se o Tribunal do Júri será transferido para a capital.
Na avaliação da Justiça Federal, as condições de Tabatinga podem interferir na segurança dos participantes e na independência dos jurados. A cidade está localizada na fronteira do Brasil com Colômbia e Peru e, segundo a decisão, enfrenta histórico de violência e criminalidade.
Também foi considerado o contexto de conflitos envolvendo indígenas e pescadores na Terra Indígena Vale do Javari, principalmente em torno da exploração de recursos naturais.
Influência na região é citada no processo
Outro elemento analisado pela Justiça foi a suposta influência de Ruben Villar entre moradores da região. Testemunhas ouvidas durante o processo afirmaram que ele era chamado de “grande patrão” e teria financiado ou fornecido barcos, motores e munições a ribeirinhos.
Segundo os relatos citados na decisão, o objetivo seria garantir exclusividade na compra de pescado retirado de áreas localizadas no interior da Terra Indígena Vale do Javari.
Para a magistrada, essas relações podem gerar receio entre moradores que eventualmente sejam selecionados para integrar o corpo de jurados. A possibilidade de pressão ou temor dos participantes foi considerada um dos fatores para defender a mudança do local do julgamento.
Defesa contestou transferência
A defesa de Ruben Villar argumentou que não foram apresentados elementos concretos capazes de demonstrar que o julgamento em Tabatinga estaria comprometido. Os advogados também afirmaram que existem mecanismos próprios do Tribunal do Júri para preservar a imparcialidade dos jurados.
Apesar da manifestação favorável à transferência, Manaus ainda não é oficialmente o local definido para o julgamento. O TRF1 deverá analisar os argumentos apresentados no processo e decidir sobre a mudança.
A juíza federal indicou Manaus como possibilidade para a realização do júri, mas deixou para o tribunal a definição da unidade responsável pelo julgamento.
Desaparecimento ocorreu em 2022
Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram em 5 de junho de 2022, quando percorriam de barco a região do Vale do Javari. O indigenista trabalhava na defesa dos povos indígenas e o jornalista britânico produzia uma reportagem sobre a Amazônia.
Os dois foram vistos pela última vez durante o deslocamento entre comunidades da região de Atalaia do Norte. As investigações concluíram que eles foram assassinados durante a viagem. Os corpos foram encontrados dias depois, enterrados em uma área de mata.
Bruno e Dom foram mortos a tiros e tiveram os corpos esquartejados antes de serem ocultados.
Ruben Dario da Silva Villar é réu no processo que apura as mortes e é acusado de participação como mandante. Também respondem à Justiça Amarildo da Costa Oliveira, o “Pelado”, e Jefferson da Silva Lima, conhecido como “Pelado da Dinha”.
Em fevereiro deste ano, a Justiça já havia determinado a transferência para Manaus do julgamento de Amarildo e Jefferson. Na ocasião, a mudança também foi relacionada à necessidade de preservar a imparcialidade do Tribunal do Júri.
Agora, o pedido envolvendo Ruben Villar será analisado pelo TRF1.
Com informações do G1 AM*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






