O Boi Caprichoso iniciou sua participação no 59º Festival Folclórico de Parintins com o espetáculo “O brinquedo do povo canta: Parintins – o chão de origem”, primeiro ato do tema Brinquedo que Canta seu Chão. A proposta conduz o público por uma imersão na história da ilha, destacando Parintins como um território onde memória, ancestralidade, pertencimento e identidade cultural se entrelaçam.
A narrativa apresenta a formação do povo parintinense a partir das contribuições de indígenas, negros, ribeirinhos, migrantes e trabalhadores, ressaltando que o “chão” celebrado pelo Caprichoso representa muito mais do que um espaço geográfico. É nele que se preservam tradições, saberes e histórias que moldaram a cultura amazônica ao longo do tempo.
Espetáculo valoriza a origem e a identidade do povo amazônico
Ao longo da apresentação, o boi azul transforma o Bumbódromo em um grande espaço de celebração das raízes da Amazônia. A proposta artística destaca a força das comunidades tradicionais e reafirma o papel do Caprichoso como uma manifestação cultural construída pelo povo e comprometida com a valorização da identidade amazônica.
Dentro dessa narrativa, o subtema “O brinquedo ancestral canta: Amazônia – o chão da vida” conduz diferentes momentos do espetáculo, reunindo alegorias e encenações inspiradas na riqueza cultural e espiritual da floresta.
Alegoria homenageia quem mantém viva a tradição do boi-bumbá
A Figura Típica Regional da noite será O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins, criada pelos artistas Preto e Paulo Pimentel.
Com cerca de 25 metros de altura, a alegoria presta homenagem aos homens e mulheres que fazem o festival acontecer — músicos, dançarinos, artistas, brincadores e todos aqueles que mantêm viva a tradição do boi-bumbá. A obra reforça a ideia de que a comunidade parintinense é a grande protagonista da festa.
Cobra Grande representa a força da encantaria amazônica
No momento dedicado às lendas, o Caprichoso apresenta Cobra Grande – A Deusa da Encantaria, criação do artista Alex Salvador.
Inspirada em uma das narrativas mais conhecidas da tradição amazônica, a alegoria retrata a entidade como símbolo das águas e da força feminina presente na encantaria. A proposta combina efeitos visuais, movimento e elementos cênicos para representar a relação espiritual entre os povos da floresta e os seres encantados.
Alegoria denuncia impactos do desmatamento na Amazônia
A Exaltação Indígena será representada pelo Módulo Alegórico Içado Monstro correntão, desenvolvido por Nildo Costa.
A criação faz referência ao correntão, técnica utilizada para o desmatamento em larga escala na Amazônia. A alegoria utiliza essa imagem para denunciar os impactos da devastação ambiental sobre a floresta, a biodiversidade e os povos tradicionais que vivem na região.
Ritual indígena destaca passagem e fortalecimento espiritual
Um dos momentos mais aguardados da apresentação será o Ritual de Iniciação Wat-Amã, concebido pelo artista alegórico Algles Ferreira.
A encenação recria cerimônias de iniciação presentes entre povos indígenas amazônicos, abordando a transmissão dos conhecimentos ancestrais, o fortalecimento espiritual e a conexão entre os jovens iniciados, seus antepassados e os espíritos da floresta.
Espetáculo reforça Parintins como território de memória e resistência
Ao encerrar sua apresentação, o Caprichoso reafirma Parintins como o lugar onde sua história foi construída e onde diferentes povos contribuíram para formar uma identidade cultural única.
Mais do que um espetáculo, a narrativa defende o boi-bumbá como instrumento de preservação da memória coletiva e de valorização das culturas amazônicas, destacando a arte como expressão de resistência, pertencimento e afirmação dos povos da floresta.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: X / Caprichoso






