Com previsão de 781 mil novos casos de câncer por ano, Lula anuncia R$ 2,2 bilhões para ampliar tratamento no SUS

Estimativa do INCA aponta avanço da doença no país, enquanto pacote do governo federal amplia acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias robóticas e reconstrução mamária na rede pública

O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Os dados reforçam o avanço da doença como um dos principais desafios da saúde pública no país e mostram que o câncer se aproxima das doenças cardiovasculares como principal causa de morte entre os brasileiros.

No mesmo cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciaram nesta sexta-feira, 15, um pacote de R$ 2,2 bilhões para ampliar o acesso ao tratamento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o governo federal, o investimento é o maior já destinado à área na rede pública.

Entre as principais medidas anunciadas estão a criação de uma nova tabela de financiamento do SUS para oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo, a ampliação das cirurgias de reconstrução mamária e o financiamento permanente de cirurgias robóticas para tratamento de câncer de próstata.

De acordo com o Ministério da Saúde, o aumento de 35% na oferta de medicamentos deve beneficiar cerca de 112 mil pacientes em todo o país. Os tratamentos contemplam 18 tipos de câncer, incluindo mama, pulmão, ovário, leucemia, estômago e próstata.

Segundo o governo federal, parte dos medicamentos será adquirida diretamente pelo Ministério da Saúde e distribuída aos estados. Os demais serão ofertados por meio de financiamento federal aos centros especializados habilitados. O Palácio do Planalto informou ainda que alguns pacientes poderão economizar até R$ 630 mil em tratamentos que atualmente são realizados na rede privada.

Para o câncer de próstata, o SUS passará a contar com financiamento permanente para cirurgias robóticas, com investimento estimado em R$ 50 milhões. Segundo o governo, cerca de 5 mil homens devem ser beneficiados com a tecnologia, que promete maior precisão cirúrgica e redução de perdas sanguíneas durante os procedimentos.

Já na área de reconstrução mamária, a ampliação do atendimento permitirá que o procedimento seja realizado não apenas em pacientes com sequelas de câncer, mas também em outros casos de mutilação mamária parcial ou total. O investimento anual previsto é de R$ 27,4 milhões.

Os números divulgados pelo INCA mostram ainda diferenças regionais importantes na incidência da doença. No Norte e Nordeste, por exemplo, o câncer do colo do útero aparece entre os mais frequentes entre as mulheres, enquanto o câncer de estômago apresenta maior incidência entre homens dessas regiões.

Entre os homens, os tipos mais incidentes devem ser os cânceres de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Entre as mulheres, os mais frequentes são mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.

O levantamento também aponta que fatores como envelhecimento da população, desigualdade no acesso ao diagnóstico e tratamento, além de hábitos de vida, ajudam a explicar o crescimento dos casos no país.

O INCA reforçou que medidas preventivas seguem fundamentais para reduzir a incidência da doença. Entre elas estão vacinação contra HPV, combate ao tabagismo, alimentação saudável, prática de atividades físicas e diagnóstico precoce.

Com Informações da Agência Brasil e INCA

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus