O aumento da demanda asiática por petróleo brasileiro elevou as exportações do país a patamar recorde no primeiro trimestre de 2026. Entre janeiro e março, as vendas externas somaram US$ 82,3 bilhões, acima dos US$ 76,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025, segundo dados oficiais.
As exportações de petróleo bruto cresceram 31% no período, alcançando US$ 12,562 bilhões. O avanço está relacionado ao aumento do volume exportado, impulsionado pela expansão da produção nacional e pela limitação da capacidade de refino no país.
De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção brasileira atingiu 3,770 milhões de barris por dia em 2025, o maior nível já registrado. Em 2024, a produção foi de 3,358 milhões de barris por dia.
A maior procura internacional ocorre em meio a tensões no Oriente Médio, que afetaram o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção global. O cenário levou países asiáticos a diversificar fornecedores, ampliando as compras do Brasil.
No primeiro trimestre, as exportações para a China cresceram de US$ 3,702 bilhões para US$ 7,192 bilhões. Para a Índia, o volume passou de US$ 577,4 milhões para US$ 1,027 bilhão. Em contrapartida, as vendas para os Estados Unidos recuaram de US$ 1,065 bilhão para US$ 632,3 milhões.
O aumento da demanda ocorre mesmo diante de projeções de desaceleração global. A Agência Internacional de Energia (AIE) prevê queda de cerca de 80 mil barris por dia na demanda mundial em 2026. Apesar disso, países asiáticos devem ampliar o consumo em aproximadamente 141 mil barris por dia.
A elevação das exportações também reflete oscilações no mercado internacional. O preço do petróleo chegou a superar US$ 110 durante o período de maior tensão geopolítica. Posteriormente, houve variações com anúncios sobre o controle do tráfego marítimo na região.
Analistas apontam que o crescimento das exportações brasileiras depende da capacidade de produção. O país já opera próximo do limite atual, o que pode restringir novos avanços no curto prazo.
O desempenho do primeiro trimestre levou à revisão das projeções para a balança comercial. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) elevou a estimativa de exportações para 2026 de US$ 348,3 bilhões para US$ 364,2 bilhões. A projeção de superávit subiu de US$ 68,1 bilhões para US$ 72,1 bilhões.
Caso os números se confirmem, o Brasil poderá registrar novo recorde anual, superando os US$ 348,7 bilhões exportados em 2025.
Especialistas apontam que o resultado positivo pode ser limitado pelo aumento dos custos de importação, em um cenário de inflação global e valorização de commodities.
Com informações do Estadão*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






