O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso na manhã desta terça-feira (5) durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal no estado do Rio de Janeiro.
A investigação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudes em processos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma, no âmbito da Secretaria Estadual de Educação.
Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão, cumpridos nas cidades do Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. As ordens judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.
O gabinete do parlamentar informou que deve divulgar posicionamento oficial ao longo do dia.
Secretaria de Educação revisa contratos
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação informou que iniciou revisão administrativa dos procedimentos relacionados a obras de manutenção e reparo na rede estadual.
Entre as medidas adotadas, está a definição de um teto de R$ 130 mil para intervenções classificadas como manutenção e pequenos reparos. Obras que ultrapassem esse valor passarão a ser executadas pela Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop-RJ), conforme diretrizes da Lei de Licitações nº 14.133.
A pasta também informou que está colaborando com o Ministério Público Estadual, o Tribunal de Contas do Estado e outros órgãos de controle.
Evolução patrimonial e trajetória
De acordo com dados declarados à Justiça Eleitoral, Thiago Rangel registrou crescimento patrimonial de cerca de 700% em dois anos. Em 2020, quando foi eleito vereador em Campos dos Goytacazes, declarou bens no valor de R$ 224 mil. Já em 2022, ao se eleger deputado estadual, declarou patrimônio de R$ 1,9 milhão, incluindo participação em 18 postos de combustíveis.
Natural de Guarus, em Campos dos Goytacazes, Rangel tem 39 anos e se declara empresário do setor varejista. Antes da carreira política, trabalhou como motorista, com renda declarada de R$ 1 mil em 2014.
Ele iniciou a trajetória política em 2020, ao ser eleito vereador. Durante o mandato, participou da criação do programa Cartão Goitacá. Também ocupou cargos na administração estadual, como na Superintendência Regional do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-RJ) e na Diretoria de Fiscalização do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro-RJ).
Em 2022, foi eleito deputado estadual com 31,1 mil votos.
Rangel é pai da vereadora Thamires Rangel (PMB), eleita em 2024, aos 18 anos. Ela foi exonerada nesta terça-feira do cargo de subsecretária adjunta de Ambiente e Sustentabilidade no governo estadual, conforme decisão do governador Ricardo Couto.
Investigações anteriores
O parlamentar já havia sido alvo da Operação Postos de Midas, deflagrada pela Polícia Federal em 2024. Na ocasião, a investigação apurava um esquema de lavagem de dinheiro com uso de postos de combustíveis para ocultar recursos provenientes de contratos públicos suspeitos de irregularidades.
Segundo a PF, o esquema teria funcionado desde 2021, com participação de empresas ligadas ao deputado. À época, Thiago Rangel negou irregularidades.
Nova fase da investigação
Na atual fase da Operação Unha e Carne, a Polícia Federal aponta indícios de atuação do parlamentar em esquema semelhante, agora relacionado a contratações na rede estadual de ensino.
As diligências incluem cumprimento de mandados judiciais em diferentes municípios do estado. Até a última atualização, a defesa do deputado não havia se manifestado sobre a nova operação.
Com informações da Agência Brasil e G1*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






