A empresa responsável pelo vazamento de gás estireno no Distrito Industrial, em Manaus, foi autuada em 30 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a R$ 4.554.300,00, após inspeção realizada nesta quinta-feira (16) por equipes da Prefeitura de Manaus. A fiscalização integra as ações do Gabinete de Crise criado para acompanhar a ocorrência registrada na quarta-feira (15).
A operação reuniu técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec), vinculada à Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg).
Além da multa, a empresa foi notificada para apresentar, no prazo de 20 dias, relatórios técnicos sobre segurança operacional, plano de contingência, atendimento emergencial, sistema de drenagem e capacidade de tratamento ambiental. A ausência da documentação poderá consolidar a penalidade aplicada.
Fiscalização aponta poluição acima do limite
Durante a inspeção, as equipes realizaram medições atmosféricas e coletaram amostras para análise da qualidade do ar, da água e do solo. Segundo a Semmas, os índices de poluição ainda permanecem acima do limite considerado seguro para exposição humana.
O diretor jurídico da secretaria, Henrique Marinheiro, informou que o vazamento foi reduzido, mas o trabalho de contenção continua.
“Os resultados preliminares apontam que o índice ainda está acima do limite em que o ser humano deve ser exposto a uma substância como essa. O vazamento já foi bastante reduzido, mas ainda não terminou. A empresa foi notificada para apresentar os documentos técnicos e esclarecer se as medidas adotadas estão dentro das normas. Em razão da dispersão do gás pela capital, aplicamos a autuação de 30 mil UFMs”, afirmou.
O controle da ocorrência segue concentrado no resfriamento do tanque de estireno, com apoio de caminhões-pipa da Prefeitura de Manaus e do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). A empresa informou que a expectativa é concluir o controle do vazamento até o fim do dia.
Implurb poderá interditar fábrica
Após a estabilização da área, o Implurb realizará uma vistoria na estrutura da planta industrial. O objetivo é verificar possíveis irregularidades relacionadas ao Plano Diretor e à legislação urbanística.
A gerente da Divisão de Controle da Cidade, Maria Aparecida Fróes, explicou que a entrada na área depende da autorização da Defesa Civil devido ao risco existente.
“Após a liberação da Defesa Civil, vamos realizar a vistoria. Se forem identificadas irregularidades previstas na legislação urbanística ou no Plano Diretor, poderão ser aplicadas novas autuações e, se necessário, determinada a interdição parcial ou total da unidade”, disse.
Saúde orienta moradores e trabalhadores
Equipes da Vigilância Sanitária e da Vigilância em Saúde do Trabalhador também atuam na região orientando moradores e trabalhadores sobre os riscos da exposição ao estireno.
Segundo o gerente de Vigilância Sanitária da Semsa, Jorge Carneiro, a principal preocupação é a inalação do produto químico e o contato com partículas suspensas no ar.
A orientação é evitar permanecer nas áreas mais próximas ao vazamento, manter casas e ambientes ventilados e procurar atendimento médico em caso de irritação nos olhos, pele, dificuldade para respirar ou outros sintomas relacionados à exposição.
Escolas suspenderam aulas e Samu realizou atendimentos
Como medida preventiva, 16 escolas da rede municipal, localizadas nas zonas Leste e Sul, suspenderam as atividades nesta quinta-feira devido ao odor provocado pelo vazamento.
Segundo a prefeitura, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizou sete remoções de pessoas que apresentaram sintomas relacionados à fumaça.
A Defesa Civil Municipal continua monitorando as condições químicas do local. De acordo com o chefe da Divisão de Minimização e Prevenção de Desastres, Renato Martins, embora a situação esteja controlada, o estireno exige monitoramento permanente da temperatura do tanque, que deve permanecer entre 25°C e 27°C para evitar novas reações.
Gabinete de Crise mantém monitoramento
As ações integradas começaram ainda na tarde de quarta-feira (15), quando a Prefeitura de Manaus instalou um Gabinete de Crise para coordenar o atendimento da ocorrência.
A recomendação permanece para que a população evite circular nas proximidades da rua Javari e da área industrial atingida. Moradores que perceberem forte odor devem manter portas e janelas fechadas, desligar aparelhos que captem ar externo e buscar outro local caso a concentração do cheiro seja intensa.
Em caso de emergência, os contatos disponíveis são:
- Defesa Civil: 199;
- Samu: 192;
- Corpo de Bombeiros: 193.
Com mais informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Manaus*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






