O governo do Irã apresentou neste sábado (8) uma lista com seis exigências aos Estados Unidos para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte internacional de petróleo.
As condições foram divulgadas pelo Conselho de Segurança Nacional iraniano enquanto Teerã negocia com Omã um possível acordo para estabelecer uma nova forma de administração e circulação pela região.
Segundo o governo iraniano, as exigências representam uma correção da “conduta” adotada pelos Estados Unidos em relação ao país.
Veja as exigências do Irã
Entre as condições apresentadas por Teerã estão:
Nunca ameaçar o Irã nem insultar os valores do país;
Fim permanente da guerra contra o Irã e aliados no Líbano, Iêmen, Iraque e Palestina;
Levantar o bloqueio naval contra portos iranianos;
Compensações financeiras pelos danos provocados pela guerra;
Suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã;
Liberação de ativos iranianos congelados.
As exigências envolvem tanto questões militares quanto econômicas e diplomáticas. O governo iraniano busca, entre outros pontos, o encerramento das sanções impostas pelos Estados Unidos e a liberação de recursos atualmente bloqueados.
Irã e Omã negociam novo acordo
Paralelamente às exigências feitas a Washington, o Irã avança nas negociações com Omã sobre a administração do Estreito de Ormuz.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou mais cedo que o acordo para estabelecer novas rotas de navegação pela região deve ser concluído em breve.
Ainda não foram divulgados detalhes sobre como funcionaria a administração conjunta da passagem marítima.
Documentos publicados pela imprensa estatal iraniana, entretanto, indicam que embarcações dos Estados Unidos e de Israel poderiam ser impedidas de atravessar a região.
Estreito é estratégico para o mercado de petróleo
A importância do Estreito de Ormuz ultrapassa as fronteiras dos países envolvidos nas negociações.
A passagem marítima é utilizada para o escoamento de aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo, o que faz qualquer interrupção no tráfego ter potencial para afetar o mercado internacional de energia.
O estreito conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia e é utilizado diariamente por navios responsáveis pelo transporte de petróleo e outros produtos.
Bloqueio ocorreu após retomada dos confrontos
O Estreito de Ormuz voltou a ser bloqueado por forças iranianas no último mês, em meio ao agravamento das tensões entre Teerã e Washington.
O bloqueio ocorreu depois de violações do memorando de entendimento firmado entre os dois países em junho. O rompimento do acordo resultou na retomada dos confrontos militares.
Agora, as negociações envolvendo Irã, Omã e Estados Unidos podem determinar as condições para uma eventual reabertura da rota.
Negociações ainda têm pontos indefinidos
Apesar do avanço anunciado pelo chanceler iraniano nas conversas com Omã, ainda não está definido como será o controle da navegação no Estreito de Ormuz.
Também não há indicação de que os Estados Unidos tenham aceitado as seis condições apresentadas pelo governo iraniano.
O impasse envolve questões que vão além da circulação de embarcações e inclui sanções econômicas, ativos congelados, compensações financeiras e a presença militar norte-americana na região.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
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