A creatina, um dos suplementos mais consumidos por atletas e frequentadores de academia, pode não oferecer um dos benefícios frequentemente atribuídos a ela. Uma revisão científica realizada por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) concluiu que não há evidências consistentes de que a substância tenha efeito anti-inflamatório significativo em humanos.
O trabalho analisou resultados de oito ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo e foi publicado na revista científica Frontiers in Immunology. Apesar da conclusão, os pesquisadores reforçam que a creatina continua sendo considerada segura e eficaz para melhorar o desempenho físico.
O que mostrou a pesquisa
Os cientistas avaliaram estudos que investigaram o impacto da creatina sobre marcadores inflamatórios presentes no organismo, como proteína C reativa, interleucinas e outras citocinas.
Embora algumas pesquisas tenham apontado resultados positivos em atletas submetidos a exercícios intensos e prolongados, os efeitos não foram observados de forma consistente em outros grupos, como idosos e pacientes com osteoartrite.
Segundo o pesquisador Vitor Engracia Valenti, coordenador do estudo, parte da crença sobre a ação anti-inflamatória da creatina surgiu a partir de pesquisas realizadas em laboratório.
“Muita gente fala que a creatina é anti-inflamatória com base em resultados de estudos feitos em animais ou em células isoladas em laboratório. O problema é que esses resultados da pesquisa básica nem sempre se traduzem em efeitos clínicos em humanos”, explica.
Resultados foram considerados pequenos
Entre os biomarcadores analisados, os pesquisadores observaram reduções discretas em alguns indicadores de inflamação. No entanto, as diferenças foram consideradas insuficientes para comprovar um benefício clínico relevante.
“A magnitude da diferença foi pequena”, afirma Valenti ao comentar os resultados relacionados à proteína C reativa.
Sobre a interleucina-6, outro marcador frequentemente associado à inflamação, o pesquisador também destaca que os efeitos observados foram mínimos.
“Teve uma diminuição mínima, que não é significativa do ponto de vista estatístico e clínico”, afirma.
Creatina continua sendo segura
Apesar de não confirmar um efeito anti-inflamatório relevante, a revisão reforçou o bom perfil de segurança da creatina.
Os estudos analisados mostraram que o suplemento foi bem tolerado tanto por atletas quanto por idosos e pacientes com diferentes condições de saúde, sem registros importantes de efeitos adversos.
Segundo os pesquisadores, protocolos com doses elevadas por curto período não apresentaram aumento significativo de problemas como desidratação, cãibras ou desconfortos gastrointestinais.
Mais estudos ainda são necessários
Os autores destacam que a ausência de evidências não significa necessariamente que a creatina não tenha qualquer ação sobre processos inflamatórios.
“Diante desses achados, recomendamos a realização de mais ensaios clínicos randomizados, controlados por placebo, para confirmar os dados observados. Nosso estudo funciona como um estímulo, uma provocação à comunidade científica, ao evidenciar a necessidade de investigações mais robustas sobre o tema.”
Para os especialistas, a principal recomendação continua sendo buscar orientação profissional antes de iniciar a suplementação.
“É importante buscar um médico, nutricionista ou educador físico antes de começar a usar, porque cada pessoa tem uma necessidade diferente”, recomenda Valenti.
Enquanto novas pesquisas são desenvolvidas, a creatina segue reconhecida principalmente pelos benefícios ligados ao ganho de força, desempenho muscular e recuperação física, áreas em que sua eficácia já é amplamente respaldada pela ciência.
Com Informações da Agência Brasil
Foto: Divulgação
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus






