Em meio a debates globais sobre desenvolvimento sustentável, liderança e redução das desigualdades, Manaus foi palco do lançamento de uma obra internacional que promete provocar reflexões sobre o futuro econômico de países emergentes. O livro do singapurense Leong Sze Hian, apresentado na capital amazonense, reúne experiências e análises inspiradas no modelo de desenvolvimento de Singapura, com adaptações possíveis para realidades como a brasileira.
As declarações foram concedidas durante entrevista ao programa Minuto a Minuto, da Jovem Pan News Manaus, apresentado pelo jornalista Jackson Nascimento, que conduziu a conversa abordando temas como liderança, desigualdade social e o papel estratégico da Amazônia no cenário internacional.
A obra conta com a colaboração do executivo Léo Bruno, que atuou como coautor e facilitador da interlocução durante a visita do autor ao Brasil. Ambos integram o Global Leadership Forum da UNESCO, o que fortalece o caráter internacional da publicação.
Liderança global e conexão com a Amazônia
Com uma trajetória reconhecida em mais de 40 países, Leong Sze Hian destacou a receptividade brasileira e, em especial, amazonense. Ao comentar sua percepção sobre o país, ele foi enfático ao relacionar potencial natural e oportunidade econômica ainda pouco explorada de forma estratégica:
Se eu nascesse de novo, gostaria de ser brasileiro. Não apenas pela beleza do país, mas pelo potencial enorme que ele tem. A Amazônia é um dos ambientes naturais mais ricos do mundo, ninguém pode replicar isso”, afirmou.
O autor também chamou atenção para o fato de que, apesar das riquezas naturais, ainda há desigualdades significativas.
Vocês estão sentados sobre uma mina de ouro. O desafio é transformar esse potencial em desenvolvimento real, distribuindo melhor essa riqueza sem destruir o que já existe.”
Modelo de Singapura e aplicação no Brasil
Durante a entrevista, o economista foi questionado sobre a possibilidade de aplicar no Brasil práticas adotadas em Singapura. Nesse contexto, ao ser questionado sobre a possibilidade de aplicar no Brasil práticas inspiradas no modelo de Singapura — reconhecido internacionalmente por seus indicadores sociais e econômicos ele apresentou uma visão pragmática e provocadora:
Sim, é possível. O Brasil talvez seja um dos melhores países para adaptar esse modelo. Vocês podem começar com projetos piloto em regiões específicas e expandir se funcionarem.”
Segundo ele, o segredo está não apenas em replicar acertos, mas em compreender os erros ao longo do processo.
“Muitas pessoas perguntam como ser o melhor. Mas o mais importante é entender quais erros foram cometidos e quais lições foram aprendidas. Essa é a chave para qualquer transformação.”
Desigualdade e indicadores sociais
A obra também aborda indicadores como o índice de Gini e o IDH, comparando diferentes realidades. A análise mostra que Singapura apresenta níveis mais equilibrados de distribuição de renda, enquanto o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais.
Nesse contexto, ao ser questionado sobre a possibilidade de aplicar no Brasil práticas inspiradas no modelo de Singapura, reconhecido internacionalmente por seus indicadores sociais e econômicos, Léo Bruno reforça que o livro busca provocar reflexão e ação:
A ideia é oferecer caminhos. Não é uma fórmula pronta, mas um conjunto de práticas que podem inspirar políticas públicas e decisões estratégicas no Brasil”, destacou.
Ele também chamou atenção para um ponto frequentemente negligenciado em debates sobre desenvolvimento: a importância de aprender com erros, e não apenas replicar acertos.
Muitas pessoas perguntam como ser o melhor. Mas o mais importante é entender quais erros foram cometidos e quais lições foram aprendidas. Essa é a chave para qualquer transformação”,
Amazônia como vetor de inovação
Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi quando Leong Sze Hian detalhou sua impressão ao conhecer iniciativas ligadas à bioeconomia na Amazônia. Segundo ele, o que encontrou na região reforça a ideia de que o Brasil já possui vantagens competitivas únicas, mas ainda subaproveitadas.
Vocês têm recursos únicos, desde alimentos como o camu-camu até materiais inovadores derivados da floresta. Com estratégia e parcerias, isso pode gerar valor agregado e melhorar a vida das pessoas”, disse.
A análise vai além do diagnóstico e aponta para um modelo de crescimento que concilia preservação ambiental e geração de renda tema central no debate internacional atual. A proposta, segundo ele, é clara: desenvolver sem destruir.
Não basta conservar. É preciso desenvolver com sustentabilidade, mantendo as pessoas na floresta e melhorando sua qualidade de vida”, reforçou.
Parceria internacional e construção do livro
A conexão entre os autores surgiu dentro do Global Leadership Forum da UNESCO e foi determinante para que o projeto ganhasse uma abordagem voltada à realidade brasileira. Segundo Léo Bruno, a iniciativa surgiu da intenção de transformar conhecimento global em contribuição prática para o país.
Quando ele decidiu escrever algo voltado ao nosso país, me procurou. Trabalhamos juntos para adaptar conceitos e trazer informações relevantes para a nossa realidade”, disse.
Ele também ressaltou que o livro deve chegar a diferentes esferas de decisão, ampliando o alcance do debate:
A ideia é levar essas propostas para quem pode implementar mudanças, seja no setor público ou privado. É uma provocação construtiva.”
Impacto e perspectivas
O lançamento em Manaus reforça o papel da cidade como polo estratégico de discussões sobre inovação, indústria e sustentabilidade. Com forte histórico na Zona Franca e experiência industrial, Léo Bruno também destacou sua ligação com a região.
“Estou em Manaus desde 1992, participei da implantação de grandes operações industriais aqui. Ver essa discussão acontecendo agora, conectando liderança global com a realidade amazônica, é extremamente significativo.”
Ao refletir sobre o momento e o cenário local, ele contextualizou a importância da cidade dentro dessa agenda internacional:
Manaus tem uma história industrial forte e um papel estratégico no desenvolvimento da Amazônia. Trazer essa discussão para cá é reconhecer que a região pode e deve ser protagonista nesse novo modelo de crescimento.”
Com lançamento internacional e já disponível ao público, o livro publicado pela Barnes & Noble se apresenta como mais do que uma análise teórica: é um convite direto à reflexão e à ação, colocando o Brasil e especialmente a Amazônia, no centro de uma discussão global sobre futuro, desenvolvimento e sustentabilidade.
Foto: Gustavo Anthony
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus






