O parlamentar viajou acompanhado da esposa e das duas filhas. Imagens transmitidas ao vivo do aeroporto mostraram a família desembarcando de um jatinho às 10h31. Após a chegada, os quatro permaneceram por alguns minutos em uma sala do terminal e, em seguida, deixaram o local em um veículo utilitário preto.
O carro estava à espera do grupo desde o pouso. Homens vestidos com uniformes pretos acompanharam a saída, mas não foi possível identificar se pertenciam à polícia ou a alguma agência do governo norte-americano.
Flávio Bolsonaro passou pela Argentina e pelo Equador
Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio Bolsonaro entrou no país às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones.
O senador utilizou um passaporte italiano para entrar em território argentino. Às 23h30, embarcou em uma aeronave particular com destino a Guayaquil, no Equador.
O jatinho pertence à empresa argentina Baires Fly, que atua no fretamento de aeronaves, e estava em Puerto Iguazú desde segunda-feira (26).
Após chegar ao Equador, a aeronave decolou às 6h22 desta quarta-feira, no horário de Brasília, com destino ao aeroporto de Opa-locka, terminal executivo localizado no condado de Miami-Dade, nos Estados Unidos.
O trajeto foi acompanhado por plataformas de monitoramento de voos, incluindo o FlightAware.
STF havia determinado entrega dos passaportes do senador
A viagem ocorreu após Alexandre de Moraes determinar a entrega dos passaportes de Flávio Bolsonaro, no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro.
O senador é investigado juntamente com o advogado Willer Tomaz, apontado como seu amigo. Ambos negam irregularidades.
A medida foi adotada a pedido da Polícia Federal, que apontou risco de fuga durante as investigações. Os documentos também tiveram o cancelamento determinado pela Justiça, mas Flávio não cumpriu o prazo estabelecido para entregá-los.
A decisão ocorreu depois de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, afirmar em uma transmissão nas redes sociais que Flávio deveria deixar o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial e assumir a liderança da oposição no exterior.
Na segunda-feira (26), após ser intimado, Flávio publicou um vídeo negando que pretendia sair do país. Na ocasião, afirmou que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no segundo turno das eleições presidenciais.
Governo argentino informou que não havia impedimento na fronteira
A chegada de Flávio Bolsonaro à Argentina foi divulgada inicialmente pelo canal argentino C5N, que registrou uma van identificada com o logotipo da empresa Dallas Travel Turismo LTDA chegando ao aeroporto de Misiones sob escolta policial.
Segundo a emissora, o veículo teria transportado o senador do Brasil até a Argentina.
O governo argentino informou que, no momento da entrada do parlamentar, não havia mandado de prisão ou impedimento legal registrado na fronteira que impedisse a passagem dele e dos familiares.
A informação foi divulgada apesar da decisão do STF que havia rejeitado os planos de viagem do senador e determinado a apreensão de seus passaportes.
O jornal argentino La Nación também informou que Santiago Caputo, estrategista político do presidente argentino Javier Milei, estava em Misiones no momento da partida da aeronave.
Governo dos Estados Unidos havia sinalizado entrada da família
Ainda na terça-feira (27), um aliado de Flávio Bolsonaro e uma fonte do governo norte-americano confirmaram à agência Reuters que o senador havia deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos.
O governo norte-americano também havia sinalizado que concederia vistos de entrada ao parlamentar e aos familiares.
Questionado sobre o caso, o presidente Donald Trump afirmou que permitiria a entrada da família Bolsonaro nos Estados Unidos, classificando seus integrantes como “pessoas decentes”. Trump também criticou o resultado da eleição presidencial brasileira de domingo (25).
Segundo as informações divulgadas, autoridades norte-americanas tinham conhecimento dos planos de saída do senador do Brasil.
Até o momento descrito nos relatos, não havia confirmação sobre o destino de Flávio Bolsonaro após deixar o aeroporto de Miami, nem sobre eventuais medidas adicionais da Justiça brasileira em decorrência da viagem.
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






