O Vaticano afirmou que a eventual ordenação de novos bispos pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X sem autorização do papa Leão XIV pode configurar ato cismático e resultar em excomunhão dos envolvidos.
A posição foi apresentada pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, após informações de que o grupo tradicionalista planeja novas ordenações episcopais em julho. Segundo o Vaticano, a medida seria uma ruptura com a autoridade papal.
O Código de Direito Canônico prevê excomunhão automática para bispos que realizam ou recebem consagração sem mandato da Santa Sé. A pena é aplicada sem necessidade de processo formal e só pode ser suspensa pelo papa ou por autoridade delegada.
O caso tem precedente em 1988, quando o arcebispo Marcel Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização de João Paulo II. A ação levou à excomunhão dos envolvidos e abriu uma crise na Igreja Católica.
Em 2009, o papa Bento XVI suspendeu a excomunhão dos quatro bispos como forma de abertura ao diálogo e tentativa de reintegração.
Segundo o Vatican News, o papa Leão XIV mantém a defesa de negociações para evitar uma ruptura definitiva e impedir a formalização de um cisma.
A Fraternidade São Pio X atua em mais de 70 países e foi fundada por Marcel Lefebvre. O grupo defende a missa tridentina em latim e rejeita parte das reformas do Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965.
A organização mantém cinco seminários, 184 casas e 94 escolas, sendo 54 na França, segundo dados internos.
Durante o pontificado de Francisco, o então superior Bernard Fellay fez críticas ao papa e afirmou que a situação da Igreja estava em crise. Setores ligados ao grupo continuam a pressionar por mudanças nas restrições à missa em latim.
Com informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






