O governo brasileiro avalia que a guerra no Oriente Médio pode se prolongar até o fim de 2026 e trabalha para ampliar medidas de contenção dos impactos econômicos no Brasil, principalmente sobre combustíveis e inflação.
Segundo integrantes do governo, a preocupação aumentou após conversas com autoridades estrangeiras, especialmente de países do Oriente Médio, que avaliam que os Estados Unidos perderam capacidade de controlar o avanço do conflito na região.
Apesar de ter ouvido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que a guerra no Irã estaria próxima de um desfecho, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que o cenário internacional ainda é instável, sobretudo nas relações entre Irã e Israel.
O temor de prolongamento do conflito vem sendo usado pela equipe econômica como justificativa para adoção gradual de medidas econômicas com duração limitada e controle de gastos públicos.
Entre as prioridades do governo está a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114, que autoriza a utilização da arrecadação extra obtida com a alta do petróleo para reduzir tributos sobre combustíveis.
A proposta permitiria substituir o modelo de subvenção à gasolina, anunciado nesta semana, por mecanismos de desoneração tributária.
Mesmo com regime de urgência aprovado, o projeto segue parado na Câmara dos Deputados. Integrantes do governo atribuem a demora a reclamações relacionadas à liberação de emendas parlamentares e à pressão de setores do agronegócio por inclusão de benefícios fiscais no texto.
Segundo interlocutores da equipe econômica, a redução de tributos teria menor custo operacional tanto para o governo quanto para empresas do setor.
O governo também avalia que precisa manter instrumentos econômicos disponíveis para reagir rapidamente diante da evolução da guerra e dos efeitos sobre os preços internacionais do petróleo.
A equipe econômica afirma que, caso o conflito tenha desfecho rápido, as medidas compensatórias poderão não ser renovadas. Ainda assim, o entendimento interno é de que o cenário exige cautela para preservar o cumprimento da meta fiscal.
Integrantes do governo relatam que a principal preocupação do presidente Lula atualmente é o impacto da guerra sobre a inflação.
Segundo auxiliares, o presidente questionou a equipe econômica sobre a alta recente do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mesmo após medidas adotadas para reduzir os impactos do diesel.
A explicação apresentada ao presidente foi que parte da pressão inflacionária está ligada ao aumento de custos no setor de alimentos, influenciado por insumos derivados do petróleo.
Na avaliação do governo, os impactos econômicos da guerra atingem diversos países e o Brasil mantém situação considerada controlada, embora ainda exija monitoramento e medidas de mitigação.
Com informações do O Globo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






