Governo Federal sanciona novo marco do transporte coletivo e abre caminho para ampliação de subsídios às tarifas

Nova legislação prevê fontes alternativas de financiamento, estabelece padrões mínimos de qualidade e fortalece a integração dos sistemas de transporte urbano

O Governo Federal sancionou a lei que institui o novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo no Brasil. A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) neste domingo (14), busca modernizar o setor, ampliar as formas de financiamento e melhorar a qualidade dos serviços oferecidos à população.

A nova legislação foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vetos a alguns trechos aprovados anteriormente pelo Congresso Nacional.

O que muda com a nova lei

Um dos principais pontos do Marco Legal é a redução da dependência exclusiva da tarifa paga pelos passageiros para financiar o transporte público.

A Lei nº 15.432/2026 autoriza a utilização de novas fontes de recursos para subsidiar o sistema, como receitas de publicidade, exploração comercial de espaços públicos e recursos provenientes da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide Combustíveis).

Com isso, a legislação abre espaço para que estados e municípios discutam modelos de redução tarifária e até mesmo a implementação da tarifa zero, dependendo da disponibilidade de recursos e da realidade local.

Qualidade do serviço passa a ter regras

O texto também estabelece parâmetros mínimos de qualidade para os sistemas de transporte coletivo urbano.

Entre os critérios previstos estão:

  • Regularidade das viagens;
  • Pontualidade;
  • Acessibilidade;
  • Segurança;
  • Conforto;
  • Satisfação dos usuários.

Além disso, a remuneração das empresas operadoras poderá estar vinculada ao desempenho e à qualidade dos serviços prestados.

Integração e modernização dos sistemas

A nova legislação também prevê medidas para fortalecer a integração física e tarifária entre diferentes modais de transporte, ampliar a transparência na gestão pública e incentivar a adoção de fontes renováveis de energia.

Outro ponto previsto é a criação de mecanismos nacionais para compartilhamento de dados e monitoramento da qualidade dos serviços de transporte urbano.

Entenda a Cide Combustíveis

Parte dos recursos que poderão ser utilizados para financiar o transporte coletivo vem da Cide Combustíveis, tributo federal cobrado sobre a importação e comercialização de petróleo, gás natural, álcool combustível e derivados.

Os recursos arrecadados são destinados principalmente a investimentos em infraestrutura de transportes, projetos ambientais e subsídios relacionados ao setor de combustíveis.

Governo explica vetos

Em nota, a Presidência da República informou que os vetos tiveram como objetivo preservar a sustentabilidade fiscal e evitar a criação de despesas obrigatórias sem previsão orçamentária.

Foram retirados dispositivos que obrigavam estados e municípios a custear integralmente gratuidades e descontos tarifários com recursos próprios, além de trechos que vinculavam subsídios públicos à remuneração das empresas operadoras.

Segundo o governo, a medida busca evitar impactos sobre benefícios já existentes e preservar a autonomia dos entes federativos.

Também foram vetados dispositivos relacionados à obrigatoriedade de isenção de pedágio para ônibus em rodovias estaduais e municipais, à previsão de subsídios federais para tarifas locais e à destinação obrigatória de parte dos recursos da Cide para áreas urbanas.

De acordo com o Governo Federal, os vetos foram adotados para evitar aumento de despesas permanentes, reduzir riscos fiscais e manter maior flexibilidade na execução do orçamento público.

 

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.