O futebol brasileiro segue marcado por forte instabilidade no comando técnico. Um levantamento do CIES Football Observatory aponta que o Campeonato Brasileiro Série A ocupa a sexta posição entre as ligas com mais trocas de treinadores no mundo nos últimos 12 meses.
De acordo com o estudo, 17 dos 20 clubes da elite nacional mudaram de técnico ao menos uma vez no período, o que representa 85% das equipes — um dos índices mais elevados do cenário global.
O ranking é liderado pelo Chipre, onde todas as equipes trocaram de treinador no intervalo analisado. Na sequência aparecem Peru, Série B da Itália, Bélgica e Venezuela, todos à frente do Brasil. Logo atrás do Brasileirão estão Paraguai, Sérvia, Chile e Romênia, completando a lista das dez ligas com maior rotatividade.
Além da frequência de mudanças, o estudo também analisou o perfil dos profissionais. A média de idade dos treinadores no mundo é de 49,5 anos, enquanto no Brasil o número sobe para 51 anos. Entre os extremos, a Bulgária concentra os técnicos mais experientes, com média de 55,6 anos, e a Suécia apresenta os mais jovens, com 43,5.
Segundo o Observatório de Futebol do CIES, os números refletem a “instabilidade crônica” presente na maioria dos clubes ao redor do mundo, especialmente em ligas onde há pressão imediata por resultados.
O cenário brasileiro reforça essa tendência. Apenas nas primeiras rodadas da edição atual do campeonato, a média de demissões chegou a uma por rodada, evidenciando a dificuldade de manutenção de projetos a longo prazo.
Top 10 de ligas com mais trocas de técnicos (últimos 12 meses):
- Chipre – 100% (14 trocas em 14 clubes)
- Peru – 94,4% (17 trocas em 18 clubes)
- Série B da Itália – 90% (18 trocas em 20 clubes)
- Bélgica – 87,5% (14 trocas em 16 clubes)
- Venezuela – 85,7% (12 trocas em 14 clubes)
- Brasil – 85% (17 trocas em 20 clubes)
- Paraguai – 83,3% (10 trocas em 12 clubes)
- Sérvia – 81,3% (13 trocas em 16 clubes)
- Chile – 81,3% (13 trocas em 16 clubes)
- Romênia – 81,3% (13 trocas em 16 clubes)
O levantamento analisou 55 ligas ao redor do planeta e indica que, de forma geral, cerca de dois terços dos clubes trocaram de treinador ao menos uma vez no último ano, evidenciando que a volatilidade no cargo não é exclusividade do Brasil, mas uma tendência global no futebol profissional.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
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