Manaus registra aumento de 28,6% nas chuvas em 2026 em relação a 2025, aponta relatório da UEA

Dados do LabClim-UEA indicam que Manaus acumulou 28,6% mais chuva entre janeiro e abril de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Janeiro deste ano foi o mais chuvoso da série histórica da capital.

Manaus registrou um aumento significativo no volume de chuvas no início de 2026. Entre janeiro e abril, a capital amazonense teve 28,6% mais precipitação do que no mesmo período de 2025, segundo dados do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim-UEA).

Chuvas em 2026 superam média histórica em Manaus

De acordo com o LabClim-UEA, o acumulado de chuva entre janeiro e abril de 2026 foi de 1.464 milímetros, valor 209 milímetros acima da média climatológica para o período. Em comparação, no mesmo intervalo de 2025, o volume foi de 1.138 milímetros, abaixo do esperado, o que representa uma diferença de 326 milímetros entre os dois anos.

Segundo o meteorologista do LabClim-UEA, Leonardo Vergasta, o contraste entre os períodos reflete mudanças no comportamento climático da região amazônica.

De janeiro a abril de 2025, Manaus acumulou 1.138 milímetros de chuva, o que representou um déficit de 117 milímetros abaixo do normal para o período. Já em 2026, no mesmo intervalo, nós tivemos 1.464 milímetros acumulados, enquanto a climatologia aponta que o esperado seria 1.255 milímetros. Ou seja, já choveu 209 milímetros acima do normal na capital amazonense”, explicou Leonardo Vergasta.

Janeiro de 2026 foi o mês mais chuvoso da série histórica

Em 2026, janeiro entrou para a série histórica como o mês mais chuvoso já registrado em Manaus, com 482 milímetros acumulados — cerca de 60% acima da média.

“Janeiro de 2026 entrou para a série histórica como o mês mais chuvoso já registrado em Manaus, com 482 milímetros, quase 60% acima da média e praticamente o dobro do registrado no mesmo mês de 2025”, afirmou o meteorologista.

Fevereiro também apresentou volumes elevados, influenciado pela atuação do fenômeno La Niña e pela umidade proveniente do Oceano Atlântico. Em março, os índices ficaram próximos da média, enquanto abril registrou valores abaixo do esperado.

Sistemas atmosféricos influenciam o regime de chuvas na Amazônia

Segundo Vergasta, o comportamento das chuvas na região depende da interação de sistemas atmosféricos de grande escala.

“A dinâmica do clima funciona como dois grandes ‘elevadores invisíveis’ da atmosfera. A Célula de Hadley puxa o ar quente e úmido próximo à Linha do Equador para cima, redistribuindo esse ar para outras regiões do globo, enquanto a Célula de Walker empurra o ar de leste a oeste sobre o Oceano Pacífico, influenciando diretamente as chuvas na América do Sul. Quando esses sistemas trabalham em harmonia, a Amazônia recebe chuvas regulares”, detalhou.

O meteorologista também destacou a influência da Zona de Convergência Intertropical e da Alta da Bolívia na formação de tempestades na região.

“Entre fevereiro e março, houve retomada das chuvas impulsionada pela subida do ar quente e úmido e pela entrada de umidade vinda do Oceano Atlântico. Março foi o pico das chuvas em Manaus, com 395 milímetros acumulados”, afirmou.

Previsão indica normalização das chuvas na Amazônia

O 9º Boletim Hidroclimático Sazonal do Amazonas, divulgado pelo LabClim-UEA, aponta que maio deve encerrar com chuvas acima da média em algumas regiões da Amazônia. Em junho, a tendência é de retorno à normalidade climatológica na maior parte da bacia Amazônica, com exceção do setor noroeste, que pode manter índices acima da média.

Com informações do Portal Acritica.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.