Mergulho proibido, caverna escura e cinco mortos; entenda a tragédia nas Maldivas

Especialistas apontam falhas graves de segurança em expedição que terminou com cinco italianos mortos a mais de 50 metros de profundidade

A morte de cinco mergulhadores italianos em uma caverna submersa nas Maldivas passou a levantar questionamentos sobre segurança, preparo técnico e fiscalização em operações de mergulho profundo no país asiático.

O caso aconteceu durante uma expedição na região de Thinwana Kandu, conhecida como “Caverna dos Tubarões”. Os corpos foram encontrados em uma área de escuridão total, a mais de 50 metros de profundidade.

Em entrevista ao tabloide britânico Daily Mail, o ex-mergulhador militar Shafraz Naeem classificou o episódio como um “acidente anunciado” e afirmou que a terceira câmara da caverna era considerada arriscada até para profissionais experientes. Segundo ele, o ambiente é totalmente fechado, sem iluminação natural e com alto nível de dificuldade para saída em caso de emergência.

“Se algo dá errado, você não consegue simplesmente subir à superfície como em um mergulho comum”, afirmou.

Governo diz que mergulho não estava autorizado

O governo das Maldivas informou que o mergulho em cavernas não fazia parte da autorização concedida ao grupo italiano. Segundo as autoridades, a documentação oficial previa apenas uma pesquisa científica relacionada a corais. A apuração tenta esclarecer por que os mergulhadores entraram na área submersa considerada de alto risco.

Os cinco italianos desapareceram após uma imersão no atol de Vaavu, na região de Alimathaa. Entre as vítimas estão o instrutor local Gianluca Benedetti, a professora universitária Monica Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, o biólogo marinho Federico Gualtieri e a pesquisadora Muriel Oddenino.

Especialista aponta falhas graves

De acordo com Shafraz Naeem, o grupo utilizava equipamentos recreativos, considerados inadequados para mergulho técnico em cavernas profundas. Nas Maldivas, o limite permitido para mergulho recreativo é de 30 metros. A entrada da caverna, porém, fica a cerca de 50 metros abaixo da superfície.

O especialista também afirmou que não foram encontradas cordas-guia no local, equipamento considerado essencial em mergulhos de caverna para orientar a saída em ambientes escuros. Segundo ele, a ausência desse sistema reforça suspeitas de falhas graves de planejamento e segurança.

Especialistas investigam ainda possíveis episódios de narcose por nitrogênio e toxicidade por oxigênio, efeitos que podem causar desorientação, pânico e perda de consciência em grandes profundidades.

Operação de resgate também terminou em morte

As buscas pelos italianos também acabaram em tragédia para as equipes de resgate. O mergulhador militar Mohamed Mahudhee morreu após sofrer doença descompressiva durante a operação.

Os corpos foram localizados por mergulhadores técnicos da organização Divers’ Alert Network Europe (DAN Europe), especializada em emergências de mergulho. A equipe utilizou equipamentos chamados “rebreathers”, sistema avançado que recicla o gás respiratório e permite maior permanência em profundidade.

O caso também ampliou o debate sobre a fiscalização do turismo de mergulho nas Maldivas. Segundo Naeem, algumas operadoras locais promoveriam mergulhos acima dos limites permitidos para atrair turistas interessados em observar tubarões e outras espécies marinhas.

A empresa italiana responsável pela viagem negou ter autorizado uma descida além do limite legal e afirmou que a expedição tinha caráter científico.

Com Informações do Daily Mail e UOL Notícias

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus