O “ouro azul” do Brasil está ameaçado? Pesquisa encontra metais em caranguejos de manguezais

Estudo monitora presença de mercúrio e chumbo em caranguejos-uçá e reforça importância ambiental dos manguezais no litoral brasileiro

Os manguezais brasileiros voltaram ao centro das pesquisas ambientais após cientistas identificarem a presença de metais como mercúrio e chumbo em caranguejos-uçá monitorados no litoral do Paraná. O estudo também reforça a importância desses ecossistemas no combate às mudanças climáticas e na preservação da biodiversidade marinha.

A pesquisa é realizada pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), desenvolvido pela Associação Mar Brasil, em áreas de manguezais da Baía de Paranaguá.

Além do monitoramento ambiental, o trabalho acompanha a saúde do caranguejo-uçá, espécie tradicionalmente consumida por comunidades caiçaras e responsável por movimentar milhões de reais na economia da região.

A pesquisadora Cassiana Baptista Metri, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), explicou que o estudo identificou a presença de elementos importantes para o organismo humano, como zinco, manganês e magnésio, mas também encontrou contaminantes considerados preocupantes.

“A gente encontrou contaminantes que não são desejáveis, como mercúrio e chumbo, concentrados no caranguejo”, afirmou.

Segundo a pesquisadora, os níveis encontrados variam de acordo com a região e a época do ano. Ela ressalta que ainda são necessários mais estudos para entender os impactos do consumo desses animais na saúde humana.

Apesar disso, os pesquisadores afirmam que os caranguejos monitorados seguem apresentando comportamento considerado normal e saudável dentro do ecossistema.

Uma das hipóteses estudadas é que os animais consigam eliminar parte dos contaminantes por meio da troca da carapaça. Outra linha de investigação analisa se substâncias presentes nas folhas do mangue ajudam a proteger o organismo do caranguejo.

Além da pesquisa com os crustáceos, o Rebimar também monitora a saúde dos manguezais utilizando drones, imagens de satélite e técnicas de georreferenciamento.

Segundo os pesquisadores, os mangues exercem papel estratégico no armazenamento de carbono, conhecido como “carbono azul”, ajudando a reduzir os impactos do aquecimento global.

“Os manguezais conseguem controlar eventos extremos e capturam carbono de forma muito eficiente”, explicou a oceanógrafa Sarah Sarubo.

De acordo com o programa, a área monitorada no litoral do Paraná possui cerca de 49 mil hectares de manguezais, equivalente ao tamanho da cidade de Porto Alegre.

Além da captura de carbono, os manguezais também ajudam a reduzir erosões, diminuir impactos das marés e atuar como filtros naturais da água.

A pesca do caranguejo-uçá movimentou aproximadamente R$ 9,8 milhões no Paraná em 2024, segundo dados do governo estadual.

 

Com Informações da Agência Brasil

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus