A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no último sábado (16), estado de emergência de saúde pública de importância internacional devido a um surto de ebola causado pelo vírus Bundibugyo, que atinge a República Democrática do Congo e Uganda.
A decisão foi tomada após consultas com os países afetados e inclui classificação de emergência pandêmica, embora a OMS informe que o evento ainda não atende aos critérios formais para esse tipo de situação definidos pelo Regulamento Sanitário Internacional (RSI).
Na República Democrática do Congo, autoridades registraram oito casos confirmados por laboratório, 246 casos suspeitos e cerca de 80 mortes na província de Ituri. Em Uganda, foram confirmados casos em um intervalo de 24 horas, incluindo um óbito na capital Kampala, sem vínculo epidemiológico inicial entre as ocorrências.
Segundo a OMS e o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África), há preocupação com a possibilidade de propagação internacional, após a identificação de casos ligados a pessoas que viajaram entre os dois países.
Os órgãos internacionais destacam a necessidade de coordenação entre países para vigilância, rastreamento de contatos, prevenção e resposta ao surto. Também foi recomendada a ativação de centros nacionais de emergência e a participação de lideranças comunitárias no processo de identificação de casos e orientação sobre a doença.
O último surto de ebola na República Democrática do Congo ocorreu no fim de 2025, na província de Kasai. O país soma 16 surtos desde a identificação do vírus em 1976.
De acordo com a OMS, o ebola apresenta taxa de mortalidade entre 60% e 80% e é transmitido por contato com fluidos corporais. A doença provoca febre alta, fraqueza e hemorragias.
O surto atual é causado pela espécie Bundibugyo, uma das três variantes conhecidas do vírus. Trata-se de uma cepa rara, com registro de dois surtos anteriores, em 2007 e 2012, com taxa de mortalidade próxima de 30%.
Autoridades e pesquisadores apontam ausência de vacinas ou tratamentos aprovados específicos para essa variante. O diagnóstico também apresenta limitações, com necessidade de testes laboratoriais mais complexos para confirmação.
A doença tem período de incubação entre dois e 21 dias. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça e fadiga, com possível evolução para vômitos, diarreia, falência de órgãos e hemorragias.
Segundo autoridades de saúde, o controle depende da identificação de casos, rastreamento de contatos, medidas de isolamento, prevenção de transmissão em unidades de saúde e enterros seguros.
Organismos internacionais também citam desafios adicionais relacionados a deslocamentos populacionais e ao contexto de conflito armado na República Democrática do Congo, com impacto na capacidade de contenção.
Com informações da Folha de São Paulo e BBC*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






