Preço do petróleo recua após anúncio de paz entre EUA e Irã

Entendimento prevê cessar-fogo, retomada do fluxo marítimo em Ormuz e flexibilização de sanções econômicas

Os mercados reagiram imediatamente ao anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. Neste domingo (14), os preços internacionais do petróleo registraram forte queda após a confirmação do entendimento entre os dois países e da previsão de reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte global de petróleo.

O barril do petróleo Brent, referência internacional, recuou cerca de 4%, sendo negociado a US$ 84. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência no mercado norte-americano, caiu para US$ 81 por barril.

Segundo informações divulgadas pela agência iraniana Mehr, o acordo prevê a normalização das operações no Estreito de Ormuz em até 30 dias. A passagem marítima, fundamental para o comércio energético mundial, teve seu funcionamento comprometido durante os meses de tensão militar entre Teerã e Washington.

O anúncio do entendimento foi confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Em publicação na rede social X, Sharif afirmou que “ambos os lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”.

De acordo com o líder paquistanês, a cerimônia oficial de assinatura do tratado está prevista para o dia 19 de junho, na Suíça. O governo iraniano também confirmou a existência do acordo por meio da agência estatal IRNA.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou à televisão estatal iraniana que o cessar-fogo passará a valer ainda nesta noite. Segundo ele, as negociações para um acordo definitivo deverão se estender por 60 dias, incluindo discussões sobre o levantamento de sanções, mecanismos de reconstrução e formas de monitoramento do cumprimento dos compromissos assumidos.

Apesar da confirmação do acordo, os detalhes do documento ainda não foram oficialmente divulgados por Washington ou Teerã. Informações publicadas por veículos internacionais apontam, entretanto, alguns dos principais termos em discussão.

Segundo fontes iranianas ouvidas pela CNN Internacional, o memorando prevê um cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes do conflito, incluindo o Líbano, além da reabertura imediata do Estreito de Ormuz, flexibilização gradual das sanções econômicas e o compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares.

Já fontes do governo norte-americano consultadas pela Reuters afirmam que o acordo inclui a reabertura do estreito, o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a manutenção do congelamento de ativos financeiros do Irã até que os termos acertados sejam integralmente cumpridos.

A versão divulgada pela imprensa estatal iraniana apresenta diferenças importantes. Segundo a agência Mehr, Teerã pretende manter o controle sobre o Estreito de Ormuz e preservar o direito de enriquecer urânio. O entendimento também incluiria a retirada de forças militares norte-americanas da região e a suspensão das sanções impostas pelos Estados Unidos.

Horas após a divulgação do acordo, Donald Trump utilizou sua rede social Truth Social para comemorar o avanço diplomático.

“O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído. Parabéns a todos! “Autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, afirmou.

O anúncio representa uma reviravolta após semanas de escalada militar. Nos últimos dias, Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques mesmo durante períodos de cessar-fogo. A tensão aumentou após a queda de um helicóptero militar americano próximo ao Estreito de Ormuz, episódio que levou a novos bombardeios e ataques retaliatórios na região do Golfo Pérsico.

A possibilidade de um entendimento já vinha sendo sinalizada desde a semana passada. Trump havia declarado que negociadores dos dois países haviam chegado a um consenso sobre os principais pontos do acordo, embora autoridades iranianas inicialmente negassem que um texto final tivesse sido aprovado.

Em meio às divergências públicas, o chanceler iraniano chegou a afirmar que um acordo de paz “nunca esteve tão próximo”. Posteriormente, Trump também compartilhou a declaração em suas redes sociais, indicando uma aproximação entre as partes.

O avanço das negociações é visto pelo mercado financeiro como um fator decisivo para reduzir riscos de interrupção no abastecimento global de petróleo. A expectativa de retomada do tráfego marítimo em Ormuz ajudou a aliviar preocupações sobre a oferta da commodity e pressionou os preços para baixo logo após a divulgação do acordo.

 

 

Com informações do G1*

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto:U.S. Navy/Planet Pix/ZUMA/picture alliance