Materiais utilizados nas alegorias do Festival de Parintins estão sendo reaproveitados por artesãos e artistas locais em produtos de decoração, moda, mobiliário e design autoral. A iniciativa faz parte do projeto “Parintins Criativo: Do Festival ao Futuro”, desenvolvido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, apresentado nesta sexta-feira (8).
O projeto busca estruturar uma cadeia econômica ligada à economia criativa a partir de resíduos utilizados durante o festival, como tecidos, fibras, estruturas cenográficas e outros insumos produzidos pelas agremiações folclóricas do município.
A proposta foi construída em parceria entre o Sebrae Amazonas, o Sebrae Nacional e participantes do setor criativo de Parintins. A metodologia reúne conceitos de economia circular, sustentabilidade, design e empreendedorismo para transformar materiais que antes eram descartados em produtos com potencial de comercialização durante todo o ano.
O projeto começou com 40 participantes ligados às atividades criativas dos bois-bumbás e atualmente reúne 64 artesãos ativos. Segundo o Sebrae, o crescimento do número de participantes reflete a ampliação das oportunidades de mercado a partir do reaproveitamento de materiais do festival.
A gestora do projeto de Artesanato do Sebrae Amazonas, Lilian Silvia Simões, afirmou que a iniciativa busca mudar a percepção dos artesãos sobre o uso dos resíduos produzidos pelas agremiações.
“A essência desse projeto vai desde a transformação da percepção dos artesãos sobre o que é resíduo e o que é matéria-prima, até o investimento em uma lógica de economia circular. Também há uma mudança de olhar sobre tendências de mercado, design, moda e decorativo”, disse.
De acordo com a gestora, os primeiros produtos desenvolvidos dentro do projeto já despertam interesse comercial, mesmo em fase de prototipagem. Entre as peças produzidas estão luminárias, mobiliários, bolsas, itens decorativos e acessórios.
Integrante do coletivo Mãos Criadoras, a artesã Taiana Ferreira afirmou que o projeto ampliou a visão dos participantes sobre o potencial econômico do festival além do período das apresentações no Bumbódromo.
“O projeto veio engrandecer nossa visão e fazer com que a gente entenda que o festival não acaba quando as luzes do Bumbódromo se apagam. Existe um potencial enorme de transformar esses materiais em arte, produto e oportunidade”, afirmou.
A artesã Tatyana Monteiro, que trabalha há 16 anos com produção artesanal, passou a investir na confecção de bolsas utilizando sementes de buriti, jacarandá, vagem de arapari, contas de madeira e materiais reaproveitados de alegorias do boi Caprichoso.
Segundo ela, o projeto abriu novas possibilidades de comercialização e inserção no mercado. Uma das peças apresentadas utiliza sacaria reaproveitada de alegorias do festival na composição da estrutura do produto.
Outra criação desenvolvida dentro da iniciativa é a luminária Kurima, produzida com folhas de andiroba por meio de técnica própria, sem uso de insumos químicos. O produto está em fase de patente e integra a linha de peças voltadas para decoração e design amazônico.
Representante do coletivo Mãos Criadoras, Regiane Lima afirmou que os trabalhos utilizam tanto resíduos físicos quanto referências culturais ligadas ao festival.
“A gente trabalha tanto com resíduos materiais quanto com esse patrimônio imaterial, que é a magia do festival, e transformamos em produtos novos e comercializáveis o ano inteiro”, declarou.
De acordo com dados do Programa do Artesanato Amazonense, coordenado pelo Governo do Amazonas por meio da Secretaria Executiva do Trabalho e Empreendedorismo (Setemp), Parintins possui 453 artesãos cadastrados.
As produções do projeto podem ser acompanhadas pelo perfil oficial @dofestivalaofuturo no Instagram, onde são divulgadas as peças e os artistas participantes
Com informações da Assessoria de Comunicação do Sebrae-AM*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






