Dados da Receita Federal do Brasil apontam que o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master enviaram R$ 12,2 bilhões para fundos de investimento nos quais possuíam algum tipo de participação entre 2017 e 2025. As informações foram repassadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou irregularidades em benefícios do INSS e foi encerrada em março deste ano.
Segundo os dados da e-Financeira, sistema que reúne informações bancárias e de investimentos, 44% dos recursos foram destinados a fundos ligados à gestora Reag. Ao todo, as aplicações foram distribuídas em 184 contas de 67 fundos diferentes.
No mesmo período, o Banco Master realizou resgates de R$ 6,8 bilhões, enquanto Vorcaro retirou R$ 581 milhões dos investimentos. Entre as gestoras que mais receberam recursos, os fundos administrados pela Trustee concentraram R$ 6,3 bilhões, o equivalente a 52% do total, seguidos pelos fundos da Reag, com R$ 5,3 bilhões (44%).
A Reag foi alvo de investigações em operações da Polícia Federal, como a “Compliance Zero”, que apura suspeitas de estruturação de fundos com movimentações consideradas atípicas, além de possíveis práticas de ocultação de riscos e lavagem de dinheiro. A empresa também foi citada na operação “Carbono Oculto”, que investiga ligações com o crime organizado. Em janeiro, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação da Reag Investimentos.
Entre os principais aportes do Banco Master, destacam-se dois fundos em que o próprio banco figura como cotista relevante. Um deles é o FIDC Scarlet, administrado pela Reag, que recebeu R$ 2,5 bilhões. O outro é o Montenegro FIDC, gerido pela Trustee, que recebeu R$ 2,4 bilhões. Este último possui apenas um cotista, o próprio banco.
Já entre os investimentos de Vorcaro, o principal destino foi o fundo Hans II FIP Multiestratégia, ligado ao grupo Reag. De acordo com dados de mercado, o fundo chegou a registrar patrimônio de R$ 3,6 bilhões no fim de 2025, com cerca de R$ 1,2 bilhão provenientes do próprio banqueiro.
O Hans II investia em outros fundos, formando uma cadeia de aplicações que incluía o fundo Jade, responsável por concentrar recursos em ativos ligados a empresas de crédito de carbono. Após revisões patrimoniais realizadas em 2026, o valor desses ativos foi reduzido, impactando diretamente o patrimônio dos fundos relacionados, que caiu significativamente.
Os dados também indicam operações com ganhos elevados em curto período. Em uma delas, Vorcaro adquiriu cotas de um fundo por R$ 2,5 milhões e, no dia seguinte, vendeu os ativos por R$ 294,5 milhões, com ganho superior a R$ 290 milhões em 24 horas. Em outra operação, realizada no mesmo ano, o banqueiro registrou lucro de R$ 150 milhões em uma semana. As movimentações financeiras e a estrutura dos fundos seguem sob análise de órgãos de controle e investigação.
Com Informações do G1
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






