Reforma tributária reacende competitividade da Zona Franca e pode atrair nova fábrica para Manaus

Durante visita à unidade da Samsung, senador Omar Aziz aponta possível migração industrial de São Paulo para o Polo Industrial de Manaus e destaca impacto das novas regras fiscais na retomada de investimentos

A recente reforma tributária aprovada no país começa a produzir efeitos concretos sobre a dinâmica industrial brasileira, especialmente na região Norte. Durante visita técnica à fábrica da Samsung em Manaus, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que uma empresa do setor eletroeletrônico, atualmente sediada em São Paulo, estuda transferir suas operações para a capital amazonense.

Segundo o parlamentar, a possível migração industrial está diretamente relacionada às mudanças no sistema tributário, que preservaram e reforçaram os diferenciais competitivos da Zona Franca de Manaus.

“Com a reforma tributária que foi construída, há uma empresa que fabrica componentes para a Samsung e que hoje opera em São Paulo. A tendência é que essa fábrica venha para Manaus. Isso significa novos investimentos e geração de empregos”, declarou Aziz durante a agenda.

A fala foi acompanhada por representantes da indústria e lideranças políticas, incluindo o deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) e o ex-deputado Masami Miki, historicamente ligado à defesa do modelo industrial da região.

A possível transferência de uma planta industrial do Sudeste para o Norte sinaliza uma mudança relevante no fluxo de investimentos produtivos no Brasil.

Nos últimos anos, a migração de indústrias para a Zona Franca havia perdido força diante de incertezas fiscais e disputas entre estados, especialmente com São Paulo, tradicional polo industrial do país. Com a reforma tributária, o cenário tende a se reequilibrar.

A nova estrutura tributária manteve os incentivos fiscais da Zona Franca, o que representa segurança jurídica e empresarial, além disso criou mecanismos de compensação para preservar a competitividade regional e reduziu distorções no sistema anterior, baseado em guerra fiscal entre estados. Na prática, isso reposiciona o Polo Industrial de Manaus como uma alternativa mais atrativa para empresas que buscam eficiência tributária e logística na produção de bens eletroeletrônicos.

O movimento também dialoga com cadeias produtivas globais. Empresas multinacionais, como a Samsung, operam com redes integradas de fornecedores e parceiros. A eventual instalação de novos fornecedores em Manaus pode fortalecer a cadeia local de suprimentos, reduzir custos operacionais, ampliar a capacidade de produção regional e atrair novos investimentos internacionais.

Além disso, a ampliação da base industrial no Amazonas contribui para a estratégia brasileira de descentralização produtiva e fortalecimento de regiões fora do eixo Sul-Sudeste.

ARTICULAÇÃO POLÍTICA E DEFESA DO MODELO

A presença de parlamentares e ex-parlamentares na agenda reforça o histórico de articulação política em torno da manutenção da Zona Franca de Manaus.

Ao longo das últimas décadas, lideranças do Amazonas têm atuado de forma contínua na defesa dos incentivos fiscais do modelo, frequentemente em debates nacionais que envolvem estados mais industrializados, como São Paulo.

Nesse contexto, a visita institucional à fábrica e o diálogo com representantes do setor produtivo evidenciam a conexão para a formulação de políticas públicas em defesa de interesses regionais e atração de investimentos

EXPECTATIVAS PARA MANAUS

Embora a empresa citada não tenha sido oficialmente confirmada, a sinalização de novos investimentos já gera expectativa no setor industrial local.

A Samsung, por sua vez, reafirmou o compromisso com a ampliação de suas operações em Manaus, destacando a importância da inovação e do fortalecimento da produção regional.

Caso a transferência seja concretizada, a expectativa é de uma maior geração de empregos diretos e indiretos, além da ampliação de linhas de produção e do fortalecimento do Polo Industrial de Manaus.

O Polo Industrial de Manaus entra, assim, em uma nova fase, marcada pela retomada da competitividade e pela possibilidade de atração de novos investimentos nacionais e internacionais.

A reforma tributária, nesse cenário, passa a ser vista não apenas como ajuste fiscal, mas como instrumento de reorganização da geografia econômica do país.

Tatiana Sobreira
Da Redação da Jovem Pan News Manaus