Renda extra ainda faz parte da rotina de 62% dos trabalhadores de Manaus, diz pesquisa

Percentual de trabalhadores que recorreram a bicos ou atividades extras caiu sete pontos em um ano. Levantamento também mostra mudanças na percepção sobre renda, alimentação e pobreza.

Seis em cada dez trabalhadores de Manaus precisaram recorrer a alguma atividade extra para complementar a renda nos últimos 12 meses. O percentual chegou a 62% em 2026, segundo a pesquisa “Viver nas Cidades: Desigualdades e Mobilidade Social”.

Apesar de representar a maioria dos entrevistados, o índice recuou em comparação com 2025. Na pesquisa anterior, 69% afirmaram ter realizado bicos, trabalhos informais ou outras atividades para reforçar o orçamento, uma diferença de sete pontos percentuais.

O levantamento foi realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pela Ipsos-Ipec, com apoio da Fundação Grupo Volkswagen e cofinanciamento da União Europeia. Foram entrevistadas, de forma online, 3,5 mil pessoas em dez capitais brasileiras.

Serviços gerais e venda de usados aparecem entre atividades extras

Entre as formas utilizadas pelos trabalhadores de Manaus para obter renda complementar, os bicos em serviços gerais aparecem com 18%. O mesmo percentual foi registrado para a venda de roupas e outros artigos usados.

Os trabalhos manuais foram citados por 10% dos entrevistados. A produção de alimentos em casa para venda aparece com 8%, enquanto atividades como motorista ou entregador por aplicativo foram mencionadas por 7%. A revenda de cosméticos e produtos de beleza também integra as alternativas apontadas no levantamento.

Percepção de aumento da renda passa de 12% para 18%

A pesquisa também identificou mudanças na avaliação dos moradores sobre a própria renda. Em 2026, 18% dos entrevistados em Manaus disseram que a renda pessoal aumentou nos 12 meses anteriores. Em 2025, eram 12%.

Ao mesmo tempo, caiu a parcela dos entrevistados que relataram redução da renda. O percentual passou de 38% para 30% entre 2025 e 2026. Os que disseram ter mantido uma renda estável passaram de 48% para 47%.

Segundo o levantamento, Manaus apresentou, entre as capitais pesquisadas, o maior recuo na proporção de entrevistados que perceberam redução da própria renda.

Alimentação pesa no orçamento de 86% dos entrevistados

Mesmo com as mudanças nos indicadores de renda, a alimentação continua entre as principais despesas apontadas pelos moradores. Para 86% dos entrevistados em Manaus, os gastos com alimentos estão entre os que mais pesam no orçamento doméstico. Em 2025, esse percentual era de 83%.

Os dados sobre consumo apresentam movimentos diferentes conforme o tipo de alimento. No caso das carnes, 33% disseram ter aumentado o consumo, enquanto 38% relataram redução.

Entre frutas, legumes e verduras, 32% aumentaram o consumo e 34% diminuíram. Para os ovos, 42% relataram aumento e 18%, redução. No caso dos laticínios, 28% disseram consumir mais e 29% informaram consumir menos.

63% percebem aumento da fome e da pobreza em Manaus

A pesquisa também perguntou aos participantes sobre a percepção da situação social da cidade. Para 63% dos entrevistados, o número de pessoas em situação de fome e pobreza aumentou em Manaus. O resultado considera a soma das respostas “aumentou muito” e “aumentou um pouco”.

Outros 8% afirmaram perceber redução da fome e da pobreza. Considerando o conjunto das dez capitais pesquisadas, 59% apontaram aumento e 12% indicaram diminuição.

Os números mostram que a avaliação dos entrevistados sobre a própria renda e a percepção sobre as condições econômicas e sociais da população não seguem necessariamente a mesma direção. O levantamento também registra que o peso dos alimentos permanece entre as principais preocupações relacionadas ao orçamento das famílias.

Foto: Reprodução/Internet

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.