O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar nesta terça-feira (15), às 10h, se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado pela suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master. A sessão será transmitida pela TV Justiça e pela internet.
O julgamento foi provocado pelo ministro André Mendonça, antigo relator do caso Master, depois que a Polícia Federal identificou mensagens trocadas entre Vorcaro e um número de celular atribuído a Moraes. O material foi obtido a partir da quebra do sigilo do aparelho do ex-banqueiro.
Vorcaro está preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Governo do Distrito Federal.
Julgamento começa com relatório de Fachin
O presidente do STF e atual relator do caso, ministro Edson Fachin, definiu o procedimento para a sessão. Após a abertura dos trabalhos e a leitura da ata da sessão anterior, Fachin deverá chamar o processo para julgamento e apresentar o relatório.
Em seguida, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá a palavra. A votação dos ministros começará após a manifestação da procuradoria.
O STF não confirmou se Alexandre de Moraes participará do julgamento. A presença do ministro Dias Toffoli também não está confirmada. No início de 2026, Toffoli declarou-se impedido de atuar em processos relacionados ao caso Master após a divulgação de que era proprietário de um resort adquirido por um fundo de investimentos ligado ao banco.
Além de Fachin, Moraes e Toffoli, integram o plenário os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.
O procedimento previsto poderá ser interrompido caso algum ministro apresente uma questão de ordem. Também existe a possibilidade de pedido de vista, que suspenderia a deliberação para análise posterior.
PF encontrou cerca de 50 mensagens
O caso chegou ao plenário após André Mendonça retirar o sigilo da apuração e encaminhar as conversas a Fachin em 1º de setembro. Pelas regras constitucionais e pelo Regimento Interno do STF, questões envolvendo investigação de integrantes da Corte devem ser submetidas ao tribunal.
Segundo a investigação, Vorcaro trocou cerca de 50 mensagens com um número atribuído a Moraes antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025.
Moraes não era relator das investigações do Banco Master. O contato com Vorcaro teria ocorrido depois que o escritório Barci de Moraes, pertencente à família do ministro, prestou serviços ao banco.
Em 15 de novembro de 2025, segundo o material obtido pela PF, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações, que naquele momento tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília. Na conversa, mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao questionar se seria possível reverter a situação.
Apesar das referências aos dois, não há indícios apontados no material de que Gonet ou Andrei tenham interferido nas investigações.
No dia seguinte, Vorcaro mencionou o juiz Ricardo Leite, então responsável pelas investigações na Justiça Federal, e perguntou sobre a possibilidade de ser alvo de uma medida na manhã seguinte. Em 17 de novembro, o ex-banqueiro foi preso por determinação do magistrado. Meses depois, o caso chegou ao Supremo.
Moraes não comentou conteúdo das mensagens
Alexandre de Moraes não se pronunciou especificamente sobre o conteúdo das mensagens desde que elas se tornaram públicas.
Após Mendonça encaminhar o material a Fachin, Moraes incluiu o ministro no inquérito das fake news e alegou que a investigação contra ele estaria sendo direcionada por “motivos políticos”. A inclusão foi posteriormente desfeita por Fachin.
PGR pede anulação de relatório da PF
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a anulação do relatório da Polícia Federal que identificou as conversas.
Na manifestação encaminhada ao STF, Gonet sustentou que André Mendonça teria determinado de forma irregular o aprofundamento da investigação do caso Master para apurar as conversas envolvendo Moraes e Vorcaro.
Para o procurador-geral, qualquer aprofundamento de investigação envolvendo um ministro do Supremo dependeria de autorização prévia do plenário. Esse ponto estará entre as questões analisadas pelos ministros nesta terça-feira.
Com informações da Agência Brasil
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






