Os efeitos do El Niño começam a ser sentidos de forma mais evidente no Brasil a partir desta quinta-feira (16). Embora o fenômeno tenha sido confirmado oficialmente em junho, a segunda quinzena de julho marca o início das mudanças mais significativas na circulação atmosférica, alterando o regime de chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do país.
As projeções indicam aumento das chuvas na Região Sul e redução das precipitações no Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Meteorologistas apontam que este pode ser um dos episódios mais intensos já registrados.
Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 81% de probabilidade de o fenômeno atingir a classificação de “muito forte” entre outubro e dezembro, período previsto para o pico de intensidade.
O que é o El Niño
O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação da atmosfera e interfere nos padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.
No Brasil, o comportamento mais comum é o aumento das chuvas na Região Sul e a redução das precipitações no Norte e Nordeste.
Especialistas alertam que o fenômeno ocorre em um contexto de aquecimento global, o que pode potencializar eventos extremos, como enchentes, secas prolongadas, ondas de calor, queimadas e tempestades.
Mudanças começam na segunda quinzena de julho
O início da atuação do El Niño não significa que eventos extremos ocorrerão imediatamente em todo o país. Os impactos tendem a ocorrer de forma gradual e ganhar intensidade durante a primavera.
De acordo com o Painel El Niño 2026/2027, elaborado por órgãos como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Agência Nacional de Águas (ANA) e Defesa Civil Nacional, o trimestre entre julho e setembro já apresenta tendência de chuva acima da média no Sul e abaixo da média em grande parte do Centro-Norte brasileiro.
Sul terá maior risco de temporais e enchentes
A Região Sul concentra a maior preocupação dos meteorologistas.
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná devem registrar volumes de chuva acima da média nos próximos meses, elevando o risco de enchentes, alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos.
Segundo a meteorologista Estael Sias, da MetSul, a primavera poderá ter maior frequência de tempestades acompanhadas por vendavais, queda de granizo, microexplosões atmosféricas e tornados, principalmente nos três estados do Sul, além do Mato Grosso do Sul e da metade sul de São Paulo.
O Painel El Niño também alerta que o aumento da umidade do solo pode ampliar o risco de movimentos de massa em períodos de chuva intensa.
Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão calor e estiagem
Enquanto o Sul deve registrar aumento das chuvas, o Centro-Oeste, Norte e Nordeste terão redução das precipitações e temperaturas acima da média.
Segundo Estael Sias, diversas áreas do Centro-Norte podem registrar temperaturas próximas ou superiores aos 40°C entre outubro e dezembro.
O INPE informa que, quando o El Niño se estabelece durante o inverno, o Sudeste também costuma registrar temperaturas acima da média histórica.
A combinação entre calor intenso e tempo seco favorece o aumento do risco de incêndios florestais. Conforme o Cemaden, o período entre julho e setembro apresenta condições favoráveis para queimadas no Centro-Oeste e no arco sul da Amazônia.
As áreas consideradas mais vulneráveis incluem Mato Grosso, Rondônia, Acre, sul do Amazonas, sul do Pará e a região do Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Além dos impactos ambientais, especialistas alertam para a piora da qualidade do ar, aumento de problemas respiratórios e prejuízos à biodiversidade.
Agricultura, energia e abastecimento podem ser afetados
Os efeitos do El Niño também devem atingir a produção agrícola, o abastecimento de água, a geração de energia e a infraestrutura.
No Sul, o aumento das chuvas pode beneficiar parte das culturas de inverno, mas também favorece doenças causadas por fungos e dificulta operações agrícolas. Temporais e enchentes podem interromper rodovias, afetar o transporte de cargas e provocar prejuízos econômicos.
No Centro-Oeste, o clima favorece a colheita do milho de segunda safra, algodão e cana-de-açúcar. Em contrapartida, o calor pode reduzir a umidade do solo, prejudicar pastagens e comprometer o planejamento da próxima safra.
No Norte e Nordeste, a combinação entre estiagem e temperaturas elevadas pode afetar culturas agrícolas, reduzir a disponibilidade de água para irrigação, pecuária, abastecimento público e geração de energia.
Especialistas também apontam possibilidade de impactos na oferta de alimentos e pressão sobre os preços de alguns produtos agrícolas.
Defesa Civil orienta estados e municípios
Diante das previsões, órgãos federais reforçaram orientações para estados e municípios ampliarem as ações de prevenção.
O Painel El Niño recomenda a atualização dos planos de contingência, fortalecimento dos sistemas de monitoramento e alerta e preparação das comunidades mais vulneráveis para enfrentar enchentes, estiagem, queimadas e ondas de calor.
As autoridades também orientam que a população acompanhe os avisos oficiais da Defesa Civil e dos institutos de meteorologia. Especialistas destacam que nem todos os eventos extremos registrados nos próximos meses serão consequência exclusiva do El Niño, já que outros sistemas meteorológicos e as mudanças climáticas também influenciam o comportamento do clima.
Com mais informações do Metróples*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






