SUS amplia lista de medicamentos para doença de Crohn, uveíte e outras condições

Novos tratamentos serão ofertados para pacientes com doença de Crohn, doenças renais, uveítes e vasculites, além de casos de intoxicação por mercúrio.

O Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar a oferta de medicamentos para o tratamento de diferentes doenças, entre elas doença de Crohn, uveítes, vasculites e doença renal crônica. A definição das responsabilidades pela compra e distribuição dos remédios ocorreu nesta quinta-feira (27), durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), em Brasília.

Ao todo, a medida envolve nove medicamentos ou apresentações, com parte das aquisições sob responsabilidade direta do Ministério da Saúde e outra parcela financiada ou comprada pelos estados. Também está prevista a oferta de medicamento para situações de intoxicação por mercúrio.

Doença de Crohn terá nova opção de tratamento

Para pacientes com doença de Crohn, inflamação crônica que afeta o sistema digestivo, o Ministério da Saúde ficará responsável pela aquisição do infliximabe 120 mg para aplicação subcutânea.

A estimativa é atender mais de 13,5 mil pessoas com quadros moderados a graves ou complicações locais. O investimento previsto é de até R$ 59,1 milhões.

A apresentação subcutânea permite que o medicamento seja administrado sob a pele, diferentemente de tratamentos que dependem de infusão intravenosa.

Crianças e adolescentes com uveíte serão atendidos

A ampliação também alcança crianças e adolescentes com uveítes não infecciosas sem relação com artrite infantil.

O Ministério da Saúde deverá adquirir metotrexato em comprimidos de 2,5 mg para atender quase 3,3 mil crianças e adolescentes, além do medicamento biológico adalimumabe 40 mg, destinado inicialmente a 67 pacientes.

As uveítes são inflamações que atingem a úvea, região do olho formada pela íris, corpo ciliar e coroide, e podem comprometer a visão.

Vasculites terão medicamentos para diferentes fases

Pacientes com vasculites associadas a Anca, grupo de doenças caracterizadas por inflamação dos vasos sanguíneos, também terão novos tratamentos disponibilizados.

Na fase inicial, será utilizada a ciclofosfamida 50 mg, com aquisição e financiamento pelos governos estaduais. A previsão é atender aproximadamente 1,5 mil pessoas, com orçamento de R$ 1,5 milhão.

Para a fase de manutenção, o Ministério da Saúde ficará responsável pela compra de rituximabe, nas apresentações de 100 mg e 500 mg, e metotrexato injetável. Os estados deverão adquirir azatioprina 50 mg como alternativa terapêutica.

Medicamento será oferecido para doença renal crônica

Para pacientes com doença renal crônica em estágios avançados, serão transferidos R$ 21,1 milhões aos estados para a aquisição de ciclossilicato de zircônio sódico 5 g.

O medicamento é utilizado para controlar o excesso de potássio no sangue, condição conhecida como hipercalemia. A previsão é alcançar aproximadamente 4,8 mil pacientes.

SUS terá medicamento para intoxicação por mercúrio

O Ministério da Saúde também fará a compra centralizada do DMSA (Succimer) para situações de emergência envolvendo intoxicação por mercúrio.

O medicamento é utilizado para auxiliar na redução da concentração do metal no organismo. A estimativa do governo federal é atender cerca de 300 pessoas por ano, com orçamento de R$ 6 milhões.

SUS também terá nova política de saúde digital

Durante a mesma reunião, foi pactuada a Política Nacional de Informação e Saúde Digital (PNISD), destinada a estabelecer diretrizes para a transformação digital do SUS.

A política prevê integração de informações, fortalecimento da telessaúde e compartilhamento estruturado de dados entre União, estados e municípios por meio dos sistemas nacionais e da Rede Nacional de Dados em Saúde.

A implementação deverá considerar diferenças regionais de conectividade, infraestrutura tecnológica e acesso às ferramentas digitais.

Programa prevê ações para eliminação da tuberculose

A Comissão Intergestores Tripartite também aprovou o Programa Nacional de Eliminação da Tuberculose como Problema de Saúde Pública.

A iniciativa prevê medidas de vigilância, prevenção, diagnóstico e tratamento e segue as metas estabelecidas no Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública 2026-2030.

A reunião também tratou de políticas relacionadas à saúde da população quilombola, vigilância de pessoas expostas a poluentes atmosféricos, imunização neonatal, assistência farmacêutica em oncologia e monitoramento da oferta de radioterapia no SUS.

 

Foto: Reprodução/Internet

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.