Tribunal do RJ afirma ter barrado erros da polícia em caso de estupro coletivo em Copacabana

Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro diz que falhas processuais poderiam levar à anulação do processo
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O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro divulgou nesta quinta-feira uma nota pública para esclarecer o andamento do processo sobre o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos ocorrido em 31 de janeiro, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro.

Segundo o tribunal, decisões tomadas pelo Judiciário tiveram como objetivo evitar falhas processuais que poderiam resultar na anulação do caso. Na nota, a corte afirma que agiu para impedir “sucessivos erros de procedimento da Polícia Civil”.

“Tais condutas policiais, se acatadas em sede de Plantão Judiciário, dariam margem para a nulidade de todo o processo no futuro”, afirma trecho do comunicado.

Inquérito foi enviado ao juízo errado

De acordo com o tribunal, no dia seguinte ao crime, em 1º de fevereiro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro encaminhou o inquérito ao 5º Juizado de Violência Doméstica da capital.

O tribunal informou que o procedimento deveria ter sido enviado diretamente à 1ª Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente (VECA), responsável por julgar crimes envolvendo vítimas menores de idade.

Ainda segundo o comunicado, o inquérito chegou ao Judiciário sem pedidos de prisão ou de busca e apreensão, o que indicaria ausência de solicitação urgente naquele momento.

Pedidos foram enviados ao plantão noturno

O tribunal também relatou problemas na tramitação dos pedidos de prisão. A investigação sobre os quatro suspeitos foi concluída em 5 de fevereiro, em horário de expediente. No entanto, os pedidos de prisão e de busca foram assinados apenas em 7 de fevereiro e enviados ao plantão judiciário noturno.

De acordo com o TJRJ, o plantão é destinado apenas a situações consideradas urgentes. O juiz plantonista decidiu não analisar o pedido naquele momento para preservar o princípio do juiz natural, regra que determina qual magistrado tem competência para julgar o caso.

Prisões foram decretadas após regularização do processo

Com a devolução do procedimento ao fluxo normal, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apresentou denúncia contra os quatro acusados em 12 de fevereiro.

No mesmo dia, a juíza do Juizado de Violência Doméstica corrigiu o envio inicial e encaminhou o processo à vara especializada.

Segundo o tribunal, em 26 de fevereiro a juíza da VECA recebeu a denúncia e decretou a prisão preventiva dos quatro acusados maiores de idade, além de expedir os mandados.

“A prisão preventiva dos quatro acusados maiores de idade já foi decretada de forma legal e segura pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente (VECA), juízo correto para analisar o caso”, afirmou o tribunal.

Pedido envolvendo adolescente também foi barrado

A nota também menciona um pedido relacionado a um adolescente investigado no caso, apontado como namorado da vítima.

Segundo o tribunal, o relatório policial foi concluído em 9 de fevereiro, mas apenas no dia 27 o delegado procurou o plantão judiciário noturno para solicitar busca e apreensão do menor.

O pedido foi novamente rejeitado porque o plantão não tem competência para analisar casos envolvendo adolescentes infratores. A solicitação de internação acabou sendo apresentada pelo Ministério Público em 2 de março.

Tribunal diz que decisões seguiram regras legais

No comunicado, o tribunal afirmou que a atuação do Judiciário buscou garantir a legalidade do processo diante da repercussão do caso.

“O Judiciário atuou com rigor técnico para barrar sucessivos erros de procedimento da Polícia Civil”, informou o TJRJ.

A corte acrescentou que a resposta do Estado a crimes contra a dignidade sexual deve ocorrer dentro das regras processuais para evitar a anulação das decisões judiciais.


Com informações do O Globo*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus