UFAM apresenta projeto de Polo de Biorrefinarias ao Cieam para ampliar bioeconomia no Alto Solimões

Proposta prevê investimento de R$ 5,54 milhões para implantação de quatro biorrefinarias em Benjamin Constant e busca aporte inicial de R$ 700 mil

 

A Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apresentaram ao Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) um projeto para implantação de um Polo de Biorrefinarias voltado ao fortalecimento da bioeconomia na região da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

A proposta prevê um aporte inicial de R$ 700 mil para viabilizar um projeto estimado em R$ 5,54 milhões, com a instalação de quatro unidades produtivas em Benjamin Constant, no Alto Solimões.

O projeto foi apresentado durante reunião da diretoria do Cieam, a convite do presidente executivo da entidade, Lúcio Flávio Morais de Oliveira. Participaram do encontro o coordenador-geral de Programas e Projetos para a Amazônia do MCTI, Eliomar da Mota Cunha, e o pró-reitor de Tecnologia da UFAM, Dalton Chaves Vilela.

A iniciativa é desenvolvida pela Incubadora de Negócios de Impacto Socioambiental do Alto Solimões (Inpactas), vinculada à UFAM, em parceria com a Prefeitura de Benjamin Constant.

Projeto prevê quatro biorrefinarias

O polo ocupará uma área de aproximadamente 750 metros quadrados e contará com laboratórios, showroom, área administrativa, estação de tratamento de água e esgoto e usina de energia solar. O projeto arquitetônico foi elaborado pela arquiteta Daniela Quinaud Jaenicke.

A estrutura será composta por quatro biorrefinarias com diferentes áreas de atuação:

  • PIRACY: voltada à piscicultura e à filetagem de tambaqui e matrinxã alimentados com frutos da floresta;
  • IPORÃ: destinada à extração e padronização de óleos vegetais amazônicos, como camu-camu, tucumã e castanha, para produção de bioinseticidas e insumos funcionais;
  • AQUAVIRIDI: dedicada ao cultivo de microalgas em fotobiorreatores tubulares para produção de biomassa;
  • KAWERU: voltada à produção de embalagens biodegradáveis a partir de fibras de bananeira, em iniciativa liderada por mulheres indígenas.

A infraestrutura também contará com uma usina solar de aproximadamente 20 kWp, equipada com baterias para cargas críticas, além de sistemas de tratamento e reúso de água.

Incubadora acompanha 24 startups

A Inpactas acompanha atualmente 24 startups ligadas à bioeconomia amazônica, sendo 13 incubadas e 11 em pré-incubação. Os empreendimentos apresentam níveis de maturidade tecnológica entre TRL 2 e TRL 8.

Segundo a incubadora, duas startups já geram faturamento, e os projetos desenvolvidos impactam mais de 500 famílias da região do Alto Solimões.

De acordo com o diretor executivo da Inpactas, Pedro Henrique Mariosa, o projeto foi estruturado a partir das demandas identificadas no território.

“Esse projeto tem potencial para se tornar um modelo porque foi concebido desde o início com uma governança que respeita os tempos e os processos do território. Ele nasce a partir de demandas reais do mercado, da pesquisa, do poder público, das comunidades e das agências de fomento e desenvolvimento.”

Segundo Mariosa, as biorrefinarias foram planejadas para operar com estrutura modular e equipamentos de baixo custo.

“As biorrefinarias foram projetadas para serem modulares, com instrumentação de baixo custo e foco no aprendizado prático, permitindo que o território se aproprie da tecnologia de forma gradual. Isso reduz os custos operacionais e cria um modelo que pode ser replicado e operado por equipes de duas a cinco pessoas.”

Unidade já funciona em Benjamin Constant

A proposta apresentada ao Cieam também destaca que parte do modelo já foi implantada. A unidade AQUAVIRIDI está em funcionamento em Benjamin Constant e é utilizada como prova de conceito do projeto.

Segundo a Inpactas, a experiência demonstra a viabilidade técnica da iniciativa e reforça a possibilidade de expansão para as demais biorrefinarias.

Com a captação do investimento inicial, a expectativa é consolidar o polo de biorrefinarias, ampliar a infraestrutura destinada às startups incubadas e fortalecer a cadeia da bioeconomia no Alto Solimões.


Com informações da Agência Rhisa*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus