O uso de inteligência artificial já faz parte da rotina de 78% dos médicos brasileiros, segundo a pesquisa “Panorama do uso de IA em saúde: perspectiva do médico e do paciente”, realizada pela Afya em parceria com a Conexa. O levantamento, feito entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, ouviu mais de mil pessoas, entre profissionais de saúde e pacientes, e aponta crescimento consistente na adoção da tecnologia no país.
Apesar da presença crescente, o estudo indica que a supervisão humana segue indispensável. De acordo com os dados, 63% dos médicos afirmam já ter corrigido erros gerados por ferramentas de inteligência artificial antes de aplicar as informações no atendimento clínico, o que reforça o uso da tecnologia como apoio, e não substituição.
A principal aplicação da IA está ligada à tomada de decisão clínica. Entre os usos mais frequentes, 74% dos médicos utilizam a tecnologia para consultar medicamentos e interações, 66% recorrem a assistentes para dúvidas clínicas e 58% buscam evidências científicas para embasar condutas. A médica Neane Magalhães, que atua na área de atenção primária, destaca o papel complementar da ferramenta.
“É uma tecnologia boa, que facilita, mas que ainda está em processo de aperfeiçoamento. Por isso, sempre que identifico qualquer inconsistência recorro à literatura”, afirmou.
Além do suporte clínico, a inteligência artificial também tem sido aplicada em atividades administrativas. O preenchimento de documentos é citado por 34% dos médicos, enquanto 28% utilizam recursos como prontuário por voz, indicando potencial de ganho de eficiência e otimização do tempo de atendimento. Para Eduardo Moura, diretor de inovação da Afya, o avanço da tecnologia exige uso criterioso.
“A tecnologia já faz parte da rotina de 9 em cada 10 médicos brasileiros, e o desafio agora é garantir que essa adoção seja crítica, segura e baseada em evidências. O julgamento clínico continua sendo insubstituível”, afirmou.
Entre os pacientes, a pesquisa aponta que 95% conhecem inteligência artificial e 79% já utilizaram a tecnologia no dia a dia. No entanto, o uso em saúde ainda é mais restrito: 49% recorrem à IA, principalmente para esclarecer dúvidas sobre sintomas, interpretar exames ou buscar informações sobre medicamentos.
“A inteligência artificial tem potencial para ampliar o acesso e melhorar a eficiência do cuidado, mas sua adoção precisa vir acompanhada de critérios de segurança, validação científica e supervisão médica”, destacou Guilherme Weigert.
O estudo indica que, nos próximos anos, a tendência é de convivência entre médicos e inteligência artificial, com a tecnologia atuando como ferramenta de apoio, especialmente em tarefas operacionais e de triagem, sem substituir o atendimento humano.
Com Informações da Afya e Conexa
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






