O varejo brasileiro registrou queda de 3% em abril de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, já descontada a inflação. Os dados são do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgado nesta semana pela Cielo. Segundo o levantamento, esse foi o pior desempenho do setor em mais de um ano.
De acordo com a pesquisa, o recuo nas vendas reflete o aumento da inflação, o maior comprometimento da renda das famílias e mudanças no calendário de datas comerciais, como a Páscoa, que neste ano ocorreu no início de abril e antecipou parte das compras para março.
“O resultado de abril mostra um consumidor mais seletivo e atento ao orçamento”, afirmou o vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, Carlos Alves.
O levantamento aponta que o aumento do custo de vida impactou diretamente o consumo, principalmente em itens essenciais, como alimentação e combustíveis. Em abril, o IPCA-15, indicador prévio da inflação oficial, avançou 0,89%, acumulando alta de 4,37% em 12 meses. Segundo a Cielo, os grupos de alimentação e transportes concentraram cerca de 65% da pressão inflacionária registrada no mês.
Todas as regiões do país apresentaram retração nas vendas em abril. O Nordeste teve o pior resultado, com queda de 4,7%, seguido pelas regiões Norte, com recuo de 3,8%, Sudeste, com 3,4%, e Sul, com 2,7%. O Centro-Oeste apresentou a menor retração, de 1,4%.
Entre os estados, o Amapá registrou o melhor desempenho do país, com crescimento de 2,7%, enquanto Rondônia avançou 0,2%. Já os piores resultados foram observados no Piauí, com queda de 7,7%, Rio Grande do Norte, com retração de 6,6%, e Pernambuco, com 5,5%.
O comércio eletrônico foi o principal destaque positivo do período. As vendas no e-commerce cresceram 6,5% em termos nominais na comparação anual, enquanto o comércio físico teve alta de apenas 0,2%. Segundo Carlos Alves, o ambiente econômico mais pressionado favoreceu o avanço das compras digitais.
“O canal digital se beneficia justamente da facilidade de comparação de preços, da conveniência e da ampliação da oferta logística em diversas regiões do país”, afirmou.
Entre os segmentos analisados pelo ICVA, o setor de serviços apresentou a maior queda, com retração real de 5,5%, puxada principalmente pela redução nos gastos com alimentação fora do lar, lazer e turismo.
Já o setor de bens duráveis e semiduráveis caiu 4,9%, com destaque negativo para vestuário, artigos esportivos, móveis e eletrodomésticos. O grupo de bens não duráveis registrou queda menor, de 1,6%, enquanto drogarias e farmácias tiveram desempenho positivo no período.
Com Informações do Correio Braziliense e da Cielo
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






