Brasil negocia redução de tempo de voo para Senegal para ampliar turismo e comércio

Governo busca viabilizar rota mais curta entre os países e articula parcerias aéreas para fortalecer conexões com a África Ocidental
Foto: Bruno de Freitas Moura/Divulgação

O governo brasileiro articula medidas para reduzir o tempo de voo entre o Brasil e o Senegal, com foco no aumento do fluxo de turismo e comércio entre os dois países. A iniciativa envolve estudos para viabilizar rotas mais diretas até Dakar, capital senegalesa, localizada na costa oeste da África.

Atualmente, não há voos diretos entre os dois países. Passageiros precisam utilizar conexões em aeroportos da Europa, cidades africanas ou até em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o que amplia o tempo de deslocamento. Em linha reta, a distância entre Natal (RN) e o Senegal é de cerca de 2,9 mil quilômetros, menor que a distância entre a capital potiguar e Lisboa, por exemplo.

A informação foi confirmada pela embaixadora do Brasil no Senegal, Daniella Xavier, que destacou a necessidade de avançar nas negociações para reduzir custos e tempo de viagem. Segundo ela, a ausência de conexões diretas cria um entrave para o crescimento das relações comerciais e turísticas.

A diplomata afirmou que há um ciclo que precisa ser interrompido: a baixa oferta de voos reduz o fluxo de pessoas e negócios, enquanto a demanda limitada dificulta a criação de novas rotas. Para enfrentar o problema, o Brasil busca articulação com empresas aéreas privadas e com a companhia estatal Air Senegal, além de possíveis parcerias com empresas de países como Marrocos, Etiópia e Turquia, por meio de acordos de codeshare.

Comércio e investimentos

O comércio bilateral entre Brasil e Senegal alcançou US$ 386,1 milhões em 2025, com superávit de US$ 370,8 milhões para o lado brasileiro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O Brasil exporta mais do que importa do país africano.

A expectativa é de crescimento nas relações econômicas. Em 2024, uma missão levou cerca de 50 empresários brasileiros ao Senegal para prospectar oportunidades de negócios.

Entre os projetos em andamento está a implantação da primeira indústria de genética agrícola no Senegal, com investimento inicial de US$ 20 milhões. A iniciativa prevê a produção de 30 milhões de ovos e 400 mil aves reprodutoras, com geração estimada de 300 empregos diretos e mil indiretos, além de transferência de tecnologia.

Também há negociações para cooperação em áreas como agropecuária, merenda escolar e defesa.

Relação histórica e diplomática

Brasil e Senegal mantêm relações diplomáticas desde o início da década de 1960. A embaixada brasileira em Dakar foi aberta em 1961, e a representação senegalesa em Brasília foi criada dois anos depois.

Os países compartilham vínculos históricos relacionados ao período do tráfico de pessoas escravizadas. A Ilha de Gorée, localizada no Senegal, é um dos principais pontos históricos desse processo.

Atualmente, o Senegal é o único país africano com representação diplomática na América do Sul.

Cooperação internacional e multilateralismo

A aproximação entre Brasil e Senegal também ocorre no campo diplomático. Ambos defendem maior coordenação em fóruns multilaterais e reformas em organismos internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU.

O Senegal assumirá, entre 2026 e 2030, a presidência da Comissão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao). O país também integra a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), bloco que reúne mais de 20 países.

Em evento recente no Rio de Janeiro, o Brasil assumiu a liderança da Zopacas.

Durante o Fórum Internacional de Dakar sobre Paz e Segurança na África, representantes dos dois países destacaram convergência em temas como diplomacia, prevenção de conflitos e cooperação internacional.

Autoridades senegalesas também apontaram que a participação do Brasil em debates internacionais contribui para o fortalecimento das iniciativas de segurança e diálogo no continente africano.


Com informações da Agência Brasil *

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus