Preço das frutas deve subir no segundo semestre com avanço do El Niño no Brasil

Previsão de seca e calor mais intenso preocupa produtores e pode pressionar o valor dos alimentos nas feiras e supermercados

O avanço do fenômeno climático El Niño deve provocar aumento no preço das frutas no Brasil ao longo do segundo semestre de 2026. A previsão é de que o calor intenso e os períodos de estiagem afetem a produção agrícola, reduzindo a oferta de diversos produtos e pressionando os preços para o consumidor.

Segundo especialistas, frutas que dependem de maior volume de chuva e umidade tendem a ser as mais impactadas pelo fenômeno climático. O cenário já acende alerta entre produtores, comerciantes e consumidores em diferentes regiões do país.

Mesmo sendo o terceiro maior produtor mundial de frutas, atrás apenas da China e da Índia, o Brasil ainda enfrenta dificuldades relacionadas ao custo de transporte e às oscilações climáticas, fatores que influenciam diretamente o valor dos alimentos nas feiras e supermercados.

Nos últimos meses, alguns produtos já apresentaram aumento significativo. O melão, por exemplo, teve alta superior a 10% em abril, chegando a ser vendido por cerca de R$ 30 em alguns estabelecimentos.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, o El Niño deve ganhar intensidade nos próximos meses, provocando alterações no regime de chuvas e aumento das temperaturas em várias regiões brasileiras. A economista Marcela Kawauti afirma que a previsão climática pode afetar diretamente a safra agrícola no segundo semestre.

“Provavelmente a gente vai ter um El Niño bastante forte no segundo semestre, o que acaba mudando as chuvas e as temperaturas, e fazendo com que a gente tenha também um problema de safra”, explicou.

Especialistas orientam os consumidores a priorizar frutas da estação, que normalmente apresentam maior oferta e preços mais acessíveis. O acompanhamento das oscilações também pode ajudar no planejamento das compras domésticas.

Além do impacto econômico, o aumento dos preços preocupa especialistas em saúde e alimentação. A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo diário de cinco porções de frutas e verduras, o equivalente a cerca de 400 gramas por dia.

No entanto, pesquisas já apontaram que quatro em cada cinco brasileiros não atingem essa quantidade recomendada na alimentação diária. O comportamento do clima nos próximos meses será determinante para o abastecimento e os preços das frutas no país até o fim do ano.

Com Informações do Inmet e R7

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus